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Calculadora de DSTI e taxa de esforço

Calcula o DSTI do agregado com o agravamento de taxa usado na análise de crédito. Compara o rácio actual com o rácio de stress.

O DSTI calcula-se somando todas as prestações mensais de crédito do agregado e dividindo o total pelo rendimento mensal líquido desse mesmo agregado, depois multiplicando por cem. Se as prestações ocupam 40% do rendimento líquido, o DSTI é de 40%. A conta é simples, mas o número que a instituição de crédito regista costuma ser mais alto do que o resultado desta divisão directa.

A razão está no método de avaliação de solvabilidade. A prestação do crédito que se pede não entra pelo valor contratado, mas com uma taxa de juro hipoteticamente mais alta, e o agravamento tende a ser maior nos prazos longos. Quando o contrato se prolonga para além da idade de reforma, pode juntar-se um segundo ajustamento, que antecipa a quebra de rendimento dessa fase da vida. O resultado é um rácio de stress, mais conservador do que a fotografia do mês corrente.

Esta calculadora segue esse caminho. Introduz-se o rendimento líquido do agregado, o total das prestações já contratadas e as condições do novo crédito. A partir daí calcula-se a prestação do novo empréstimo pelo sistema francês, com prestação constante ao longo do prazo, e repete-se o cálculo com a taxa agravada. O resultado mostra os dois rácios lado a lado: o que o agregado vê hoje e o que a instituição tende a considerar na análise.

Serve para quem prepara um pedido de crédito à habitação, para quem quer perceber quanto espaço sobra antes de contratar um crédito automóvel e para quem já tem vários empréstimos e quer saber onde está antes de pedir mais um. Um agregado em Nampula ou na Matola usa exactamente a mesma lógica, desde que os valores introduzidos sejam os seus.

O resultado actualiza automaticamente.

Soma dos rendimentos líquidos de todos os titulares, após impostos e contribuições

Total mensal de crédito habitação, automóvel, pessoal e cartões em pagamento faseado

Capital que se pretende financiar no novo contrato

Duração total do novo contrato, em anos

Taxa nominal anual esperada para o novo contrato

Pontos percentuais somados à taxa para simular uma subida futura, como exige a avaliação da solvabilidade

DSTI com agravamento

52,2%

Rácio entre o serviço da dívida e o rendimento líquido, com a prestação do novo crédito já agravada

Prestação do novo crédito
709,57 MTn
Prestação com agravamento
849,16 MTn
Total de encargos mensais
1149,16 MTn
DSTI sem agravamento
45,9 %
DSTI dos créditos actuais
13,6 %
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Como funciona

1

Introduz-se o rendimento mensal líquido do agregado, somando os rendimentos de todos os titulares depois de impostos e contribuições para a segurança social.

2

Indica-se o total das prestações mensais dos créditos já contratados, incluindo cartões pagos em prestações e responsabilidades assumidas como fiador.

3

Preenchem-se as condições do novo crédito: montante, prazo em anos e taxa de juro anual esperada.

Fórmula

DSTI = ((ΣPa + Pn) / R) × 100, com Pn = M × i / (1 − (1 + i)⁻ⁿ)
DSTI — Rácio entre as prestações de crédito e o rendimento do agregado, expresso em percentagem
ΣPa — Soma das prestações mensais dos créditos já contratados pelo agregado
Pn — Prestação mensal do novo crédito, calculada pelo sistema francês com a taxa já agravada pelo teste de stress. Com taxa zero, igual ao montante dividido pelo número de prestações (M / n)
R — Rendimento mensal líquido do agregado, após impostos e contribuições para a segurança social, que tem de ser superior a zero
M — Montante do novo crédito, que tem de ser superior a zero
i — Taxa de juro mensal, obtida dividindo a taxa anual agravada por doze. Se for zero, a fórmula não se aplica directamente e a prestação calcula-se como M / n
n — Número total de prestações, igual ao prazo em anos multiplicado por doze. Tem de ser um número inteiro igual ou superior a 1

Como funciona o cálculo

DSTI: o rácio que decide se o crédito é aprovado

Quem pede crédito para comprar casa ou um carro depressa percebe que há um número que pesa mais do que os outros. O DSTI, sigla inglesa de debt service to income, traduz-se por serviço da dívida sobre rendimento e, na linguagem do dia a dia, corresponde à taxa de esforço. Mede a parte do rendimento líquido mensal que fica comprometida com o pagamento de prestações de crédito.

As instituições de crédito calculam este rácio antes de decidir, e fazem-no de forma mais exigente do que a conta simples que a maioria das pessoas faz em casa. A diferença está no agravamento: a prestação que entra no rácio não é necessariamente a prestação de hoje, mas a prestação num cenário de subida da taxa de juro. Por isso um agregado pode sentir-se folgado e, ainda assim, receber uma resposta negativa. Esta calculadora reproduz as duas contas, a corrente e a agravada, para que a diferença fique visível antes de se apresentar o pedido.

O que entra no numerador e no denominador

O numerador soma tudo o que se paga por mês a título de crédito: crédito à habitação, crédito automóvel, crédito pessoal, saldos de cartões pagos em prestações e linhas de crédito associadas à conta bancária. Contam as prestações de todos os titulares do agregado, e não apenas as de quem assina o novo contrato. Contam também as responsabilidades assumidas como fiador, porque o risco existe mesmo quando o pagamento é feito por outra pessoa.

O denominador é o rendimento mensal líquido do agregado, ou seja, aquilo que entra efectivamente na conta depois dos impostos sobre o rendimento e das contribuições para a segurança social. Entram salários líquidos, pensões, rendas recebidas e outros rendimentos regulares e comprovados. Não entram rendimentos ocasionais, apoios pontuais nem actividade não declarada, porque nenhuma instituição os aceita como base de análise.

Um detalhe muda muito o resultado. Um casal de Maputo em que apenas um dos membros aparece como titular apresenta um rácio mais alto do que o mesmo casal com os dois como co-titulares, porque o segundo rendimento fica de fora do denominador. Antes de submeter o pedido, compensa testar as duas configurações e perceber qual reflecte melhor a situação real do agregado.

Porque o rácio da instituição costuma ser mais alto

Nas análises de solvabilidade é comum simular a prestação do novo contrato com uma taxa de juro superior à contratada. A lógica é directa: um empréstimo a taxa variável acompanha um indexante de referência, e esse indexante pode subir. Se o agregado só aguenta a prestação no cenário mais favorável, o crédito é frágil. O agravamento tende a ser maior nos prazos longos, porque há mais anos de exposição a uma eventual subida.

Existe um segundo ajustamento, ligado à idade. Quando o contrato termina depois da idade de reforma, a análise pode antecipar a redução de rendimento que a passagem à reforma costuma implicar. O rácio deixa de assentar apenas no rendimento actual e passa a considerar o rendimento previsível no fim do prazo. Por isso, alargar o prazo nem sempre melhora a posição de quem pede: baixa a prestação, mas empurra o contrato para uma fase da vida com menos rendimento.

Os limites concretos ao rácio, quando existem, dependem da política de cada instituição e da regulamentação aplicável, e podem mudar ao longo do tempo. Por isso esta calculadora não aponta um limite fixo. Mostra os rácios, e a comparação com os critérios da instituição fica a cargo de quem pede o crédito.

Como ler os dois resultados

O DSTI corrente mostra o peso das prestações tal como estão hoje. O DSTI agravado mostra o peso que essas prestações teriam se a análise usasse uma taxa mais alta para o novo crédito. Quando os dois valores estão próximos, o agregado tem folga que não depende de uma descida da taxa. Quando a diferença é grande, a aprovação depende mais do cenário de juros e menos da situação de hoje, e vale a pena rever o montante, o prazo ou o número de titulares antes de avançar.

O rácio do crédito novo isolado também ajuda. Se o novo crédito, sozinho, já ocupa uma parte grande do rendimento, o problema está na dimensão do empréstimo e não nas dívidas antigas. Nesse caso, reduzir o montante ou aumentar a entrada costuma ser mais eficaz do que mexer em créditos já existentes.

Casos-limite da fórmula

Há três situações em que a fórmula precisa de cuidado. A primeira é a taxa zero. Com i igual a 0, a prestação M × i / (1 − (1 + i)⁻ⁿ) fica com a forma 0/0, mas o valor para o qual tende quando a taxa se aproxima de zero é M / n. Nesse caso a prestação do novo crédito calcula-se dividindo o montante pelo número de prestações, sem juros. A segunda é o prazo: n tem de ser um número inteiro igual ou superior a 1, porque com n igual a 0 o denominador da fórmula anula-se. A terceira são os valores de base: M tem de ser superior a 0 e R tem de ser superior a 0, porque um rendimento nulo torna o rácio indefinido e um montante nulo não tem prestação a calcular. Fora destes limites, o resultado não deve ser usado para decidir.

Erros comuns a evitar

O primeiro erro é usar o rendimento bruto. O rácio calcula-se sobre o líquido, e a distância entre os dois chega para transformar um resultado confortável num resultado apertado.

O segundo é esquecer os créditos pequenos. Um cartão pago em prestações ou um crédito para electrodomésticos parecem irrelevantes isoladamente, mas somam-se ao numerador, e a instituição costuma tê-los em conta mesmo quando o cliente não os considera importantes.

O terceiro é confundir taxa de esforço com orçamento familiar. O DSTI mede crédito e mais nada. Não inclui renda de casa, condomínio, escola, transportes nem alimentação. Dois agregados com o mesmo rácio podem ter folgas muito diferentes, porque aquilo que sobra em valor absoluto depende do nível de rendimento. Uma família da Beira com rendimento modesto pode ficar sem margem com um rácio que, noutro agregado, seria confortável.

O quarto é contar com subsídios pagos apenas em certos meses como se fossem rendimento mensal. Esses valores não transformam o rendimento mensal regular, e é sobre esse rendimento regular que a análise trabalha.

Quando não usar esta calculadora

A calculadora não serve para decidir sozinha se um crédito deve ser contratado. Também não substitui a análise de uma proposta concreta, porque cada instituição aplica critérios próprios e pode incluir ou excluir componentes de forma diferente. Não serve, por fim, para comparar agregados em que o rendimento tem origem irregular, como actividade informal ou apoios pontuais, porque o método assenta em rendimento regular e comprovado.

Quando falar com um profissional

Esta calculadora reproduz o método com fidelidade, mas não substitui a análise da instituição. A decisão final pondera ainda o historial de incumprimentos, a estabilidade e o tipo de vínculo laboral, a relação entre o montante emprestado e o valor da garantia e a antiguidade da relação bancária. Quando o rácio fica perto do limite que a instituição aplica, convém falar com um intermediário de crédito devidamente autorizado, que compara propostas de várias instituições e identifica onde existe margem para o perfil em causa.

Consultar a informação pública das autoridades de supervisão do sector financeiro ajuda a perceber o enquadramento geral em que a decisão é tomada.

Perguntas frequentes

O que significa DSTI e é o mesmo que taxa de esforço?

DSTI é a sigla inglesa de debt service to income, que se traduz por serviço da dívida sobre rendimento. Na linguagem do dia a dia, o mesmo indicador designa-se por taxa de esforço. Os dois termos referem o mesmo rácio: a parte do rendimento mensal líquido comprometida com prestações de crédito. A sigla aparece sobretudo em documentos técnicos e de supervisão, enquanto taxa de esforço é o termo usado no contacto com o cliente.

Como se calcula o DSTI?

Somam-se todas as prestações mensais de crédito do agregado, incluindo a prestação do crédito que se pretende contratar, e divide-se esse total pelo rendimento mensal líquido do agregado. O resultado multiplica-se por cem para ficar em percentagem. A prestação do novo crédito calcula-se pelo sistema francês, com prestação constante ao longo do prazo, e entra no cálculo já com a taxa agravada pelo teste de stress.

Que rendimentos e que encargos entram no cálculo?

No rendimento entra tudo o que é regular, comprovado e líquido: salários depois de impostos e contribuições para a segurança social, pensões, rendas recebidas e outros rendimentos estáveis de todos os titulares. Nos encargos entram todas as prestações de crédito activas, desde o crédito à habitação ao crédito pessoal, ao automóvel e aos saldos de cartões pagos em prestações. Rendas de casa, condomínio, escola e despesas correntes ficam de fora, porque o rácio mede endividamento e não orçamento familiar.

Porque é que a instituição chega a um DSTI mais alto do que o calculado?

Porque a instituição não usa a prestação nas condições actuais. Aplica um agravamento à taxa de juro do novo contrato para testar a capacidade de pagamento num cenário de subida, e esse agravamento tende a ser maior nos prazos mais longos. Se o contrato terminar depois da idade de reforma, pode considerar também a redução de rendimento esperada nessa altura. Além disso, costuma somar responsabilidades que muitas pessoas esquecem, como créditos de que se é fiador.

Como se pode baixar o DSTI antes de pedir crédito?

As vias mais eficazes são reduzir o numerador ou aumentar o denominador. Liquidar créditos de custo elevado e prazo curto, como cartões em prestações e créditos pessoais pequenos, liberta espaço imediato. Dar uma entrada maior no crédito à habitação reduz o montante financiado e, com ele, a prestação. Incluir um segundo titular com rendimento regular e comprovado aumenta o rendimento considerado. Consolidar créditos num só contrato baixa a prestação mensal, mas tende a aumentar o custo total dos juros, por isso deve comparar-se o custo total antes de avançar.

Quando se deve consultar um profissional?

Sempre que o rácio calculado ficar perto do limite que a instituição aplica, ou quando existem várias responsabilidades activas e não é claro quais delas bloqueiam a aprovação. Um intermediário de crédito devidamente autorizado compara propostas de várias instituições e conhece as margens de excepção que cada uma tem disponíveis. Para crédito à habitação, esta conversa deve acontecer antes de assinar qualquer compromisso de compra, e não depois.

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Pelo RivoCalc · Revisto segundo a metodologia editorial · Actualizado em 15 de agosto de 2026

Esta calculadora fornece uma estimativa para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. Os valores reais dependem das condições de cada instituição de crédito e da situação concreta de cada agregado. Antes de decidir, deve consultar-se a instituição de crédito ou um profissional qualificado.