Calculadora de Dimensionamento de Radiadores
Calcula a carga térmica por divisão e indica o número de secções ou o painel radiador necessário para aquecimento central.
Dimensionar radiadores correctamente é uma das decisões mais impactantes num sistema de aquecimento central — e uma das mais ignoradas. A maioria das pessoas compra o radiador que "parece certo" para a divisão, sem calcular a carga térmica real. O resultado são divisões que nunca atingem a temperatura desejada em Janeiro, ou caldeiras que trabalham ao máximo de capacidade porque o circuito não foi dimensionado para as perdas reais do edifício.
O método correcto passa por calcular as perdas de calor de cada divisão individualmente. Os inputs são simples: a área e o pé-direito da divisão, a zona climática do município (I1, I2 ou I3 conforme o REH) e o nível de isolamento do edifício. A partir daí, a fórmula volumétrica utilizada pelos instaladores portugueses dá a carga térmica em watts — e o tamanho exacto do painel ou o número de secções necessário.
Esta calculadora usa os parâmetros climáticos definidos pelo Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação (REH, Decreto-Lei n.º 118/2013, actualizado pela Portaria n.º 138-I/2021) e os coeficientes de perda térmica volumétrica aplicáveis ao parque habitacional português. O resultado é apresentado em watts, BTU/h e número de secções de ferro fundido — as três unidades que aparecem nas fichas técnicas de radiadores de marcas como Roca, Purmo e Jaga, disponíveis em Leroy Merlin PT, AKI e Maxmat.
O resultado actualiza automaticamente.
Área útil da divisão em metros quadrados.
Altura do piso ao tecto. Típico em Portugal: 2,7 m.
Vidro duplo: conta 1 por janela. Vidro simples: conta 2 por janela.
Definida pelo REH (Portaria n.º 138-I/2021) com base nos graus-dia do município.
Coeficiente K: fraco = 1,5; médio = 1,0; bom = 0,6 W/m³·K.
Carga térmica necessária
951 W
3243 BTU/h
Radiador de painel recomendado
Tipo 22 — 600×600 mm (~1 050 W)
ou 9 secções de ferro fundido (a Δt50)
- Volume da divisão
- 40,5 m³
- Coeficiente K
- 1,0 W/m³·K
- ΔT de projecto
- 21 °C
- Perdas pelos elementos opacos
- 851 W
- Perdas pelas janelas
- 100 W
Como usar
- Introduz a área da divisão a aquecer (m²) e o pé-direito em metros.
- Selecciona a zona climática de inverno do teu município — I1 para o litoral, I3 para o interior frio.
- Escolhe o nível de isolamento do edifício com base no ano de construção ou renovação.
- Indica o número de janelas na divisão (vidro duplo: conta 1 por janela; vidro simples: conta 2).
- A carga térmica e o radiador recomendado aparecem imediatamente em watts, BTU/h e tipo de painel.
Fórmula
Q = V × K × ΔT + N × Q_j
- Q — Carga térmica da divisão (W)
- V — Volume da divisão (m³) = área × pé-direito
- K — Coeficiente volumétrico de perda (W/m³·K): 1,5 fraco; 1,0 médio; 0,6 bom
- ΔT — Diferença entre temperatura interior (20 °C) e exterior de projecto (°C)
- N — Número de janelas na divisão
- Q_j — Perda adicional por janela com vidro duplo (100 W)
Fontes:
- EN 12831 — Sistemas de aquecimento em edifícios: método de cálculo da carga de aquecimento de projecto
- REH — Decreto-Lei n.º 118/2013 e Portaria n.º 138-I/2021 (zonamento climático Portugal)
- EN 442 — Radiadores e convectores: requisitos e ensaios
- LNEC — Coeficientes de transmissão térmica de elementos da envolvente dos edifícios
Como funciona o cálculo
Como dimensionar radiadores para aquecimento central
Dimensionar radiadores não é uma questão de estética ou de "o que cabe na parede" — é física aplicada. Um radiador com potência insuficiente não aquece a divisão em dias de frio intenso; um sobredimensionado entra em "short cycling" — ciclos curtos de liga e desliga — o que desgasta a caldeira prematuramente e aumenta o consumo real entre 15 e 25%.
O ponto de partida é sempre a carga térmica da divisão: a quantidade de calor por hora que o sistema tem de fornecer para compensar as perdas pelo tecto, paredes, janelas e piso. Essa carga mede-se em watts (W), ou em BTU/h no sistema anglosaxónico que ainda aparece nos catálogos de alguns fabricantes.
O método volumétrico explicado
A forma mais prática de calcular a carga térmica de uma divisão é o método volumétrico, compatível com a norma europeia EN 12831. A fórmula é:
Q (W) = V × K × ΔT
O volume V obtém-se multiplicando a área pelo pé-direito. O coeficiente K traduz a qualidade do isolamento em perdas por unidade de volume e grau de temperatura — em Portugal, o parque habitacional anterior a 1990 tem K ≈ 1,5 W/m³·K porque raramente tem isolamento nas paredes exteriores ou na cobertura. A construção de 1990 a 2006, já sujeita ao RCCTE, situa-se em K ≈ 1,0 W/m³·K. Edifícios construídos ou renovados a fundo após 2006, com cumprimento do REH, ficam em K ≈ 0,6 W/m³·K.
O ΔT é a diferença entre a temperatura interior desejada (20 °C, referência standard) e a temperatura exterior de projecto para cada zona climática. Em Portugal continental, o REH define três zonas de inverno com base nos graus-dia de aquecimento — um valor que integra o número de dias frios e a intensidade do frio ao longo da estação.
Na prática, os bons instaladores de Porto interior e de Braga adoptam K = 1,2 mesmo para construção recente, como margem de segurança para variações de qualidade de execução — nem todo o isolamento declarado em projecto foi instalado correctamente.
Zonas climáticas de inverno em Portugal
A Portaria n.º 138-I/2021 actualizou o zonamento climático do REH para o território continental. As três zonas são:
I1 (branda): Graus-dia inferiores a 1 300. Temperatura exterior de projecto: −1 °C. ΔT de cálculo: 21 °C. Inclui Lisboa, Faro, Setúbal, Porto litoral, Viana do Castelo, Braga litoral.
I2 (moderada): Graus-dia entre 1 300 e 1 800. Temperatura exterior: −4 °C. ΔT: 24 °C. Inclui Braga interior, Coimbra, Évora, Leiria, Santarém interior, Aveiro interior.
I3 (fria): Graus-dia superiores a 1 800. Temperatura exterior: −8 °C. ΔT: 28 °C. Inclui Bragança, Guarda, Castelo Branco interior, Viseu interior, Serra da Estrela, Chaves.
Para um quarto de 12 m² com pé-direito de 2,7 m (V = 32,4 m³) e isolamento médio (K = 1,0):
- Em Lisboa (I1): Q = 32,4 × 1,0 × 21 = 680 W → painel tipo 22 de 600×400 mm
- Em Coimbra (I2): Q = 32,4 × 1,0 × 24 = 778 W → painel tipo 22 de 600×600 mm
- Em Bragança (I3): Q = 32,4 × 1,0 × 28 = 907 W → painel tipo 22 de 600×600 mm
A diferença entre Lisboa e Bragança para o mesmo quarto é de 227 W — mais de duas secções de ferro fundido. Ignorar a zona climática é o erro mais caro no dimensionamento.
Tipos de radiadores no mercado português
Os radiadores de painel tipo 22 (duplo painel, duplo convector) dominam as instalações novas em Portugal. O número 22 indica a construção: dois painéis de aço com dois convectores entre eles. São mais compactos e eficientes do que os tipo 11, e os modelos de 600 mm de altura são os mais comuns em habitação. As marcas mais vendidas no mercado português são Purmo (disponível em Leroy Merlin PT e AKI), Roca (Leroy Merlin, Maxmat) e Jaga (instaladores especializados). Os preços em 2025-2026 situam-se entre 70 € (600×400) e 150 € (600×1200) por unidade antes de instalação.
Os radiadores de ferro fundido em secções são a solução tradicional, ainda muito usada em renovações de edifícios antigos. Cada secção rende tipicamente 115 W a Δt50 (temperatura média da água de 65 °C, ambiente de 20 °C). São mais pesados, têm maior inércia térmica — demoram mais a aquecer, mas mantêm o calor mais tempo após a caldeira desligar —, e suportam bem sistemas antigos com pressão e temperatura elevadas.
Atenção: todos os valores de potência nos catálogos são dados a Δt50. Num sistema com caldeira de condensação a operar a 55/45 °C (o regime óptimo para condensação), a potência real é cerca de 70-75% do valor Δt50 — pelo que o dimensionamento deve seleccionar o modelo imediatamente acima do calculado.
Erros comuns que encarecem a obra
O erro mais frequente é não corrigir para o pé-direito real. Uma divisão com 3,0 m de altura tem 11% mais volume do que uma com 2,7 m. Em Bragança, essa diferença representa 100–150 W extra — quase uma secção de ferro fundido.
Não contabilizar as janelas é outro erro comum. Cada janela de vidro duplo com caixilharia standard acrescenta cerca de 100 W de perdas; com vidro simples (ainda existente em muito do parque anterior a 1980), o valor sobe para 150–200 W. Uma sala com três janelas de vidro simples pode ter 450–600 W de perdas adicionais que a fórmula volumétrica base não captura.
Quando consultar um técnico habilitado
Esta calculadora dá uma estimativa de planeamento adequada para comparar opções, controlar orçamentos e verificar se uma instalação existente está bem dimensionada. Para a selecção definitiva e o traçado da instalação, recomenda-se um técnico habilitado — instalador de aquecimento central certificado ou engenheiro de instalações AVAC. Em Portugal, qualquer obra que altere o circuito hidráulico principal ou a ligação ao ramal de gás exige técnico reconhecido pela DGEG, nos termos do Decreto-Lei n.º 101-D/2020. Instalações em edifícios com obrigação de certificação energética requerem, adicionalmente, perito ADENE.
Perguntas frequentes
Quantos watts por metro quadrado são necessários para aquecer uma divisão em Portugal?
O que é BTU/h e como se converte para watts?
Qual a diferença entre radiadores de ferro fundido e radiadores de painel?
Posso instalar um radiador maior do que o calculado, para garantir conforto?
O que significa Δt50 nas fichas técnicas dos radiadores?
Quando é obrigatório chamar um técnico para instalar ou alterar radiadores?
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Esta calculadora destina-se apenas a fins informativos. Os resultados são estimativas baseadas em fórmulas padrão e podem variar consoante as condições reais. Consulte um profissional para decisões importantes.