Calculadora de Tela Pitonada (Drenagem)
Calcula a área e o número de rolos de tela pitonada necessários para drenar fundações, muros e terraços, com correcção de sobreposição entre tiras.
Um rolo de tela pitonada de 2,0 m por 20 m tem 40 m² de área bruta; com a sobreposição obrigatória de 20 cm entre tiras adjacentes, a largura útil por tira fica reduzida a 1,80 m, o que baixa a área útil do rolo para 36 m². Para proteger uma parede enterrada de 8 m de comprimento por 2,5 m de altura (20 m² de superfície), são necessários 0,56 rolos, ou seja, 1 rolo inteiro chega com margem confortável para os remates de base e de topo.
Esta calculadora determina a área total de tela pitonada necessária, já com as sobreposições incluídas, e converte esse valor no número de rolos a encomendar, com margem de desperdício ajustável conforme a complexidade da obra.
Em Angola, a drenagem de fundações e muros enterrados ganha relevância adicional pela intensidade da estação chuvosa em regiões como Luanda, Benguela e Cabinda, onde os solos podem ficar saturados durante meses seguidos. Uma câmara de drenagem mal dimensionada, com sobreposições insuficientes entre tiras, deixa entrar partículas finas de solo que colmatam os canais e anulam o efeito da membrana precisamente quando este é mais necessário.
A tela pitonada não substitui a impermeabilização da estrutura. Aplica-se sobre ela, protegendo-a mecanicamente do contacto directo com o terreno e criando um caminho de escoamento para a água antes que esta exerça pressão hidrostática sobre a parede. Em fundações profundas ou caves, este princípio é particularmente relevante em terrenos com lençol freático elevado ou em zonas de encosta, comuns no planalto central angolano, junto ao Huambo e ao Lubango.
Ao introduzir o comprimento e a altura da área a cobrir, a largura e o comprimento do rolo disponível e a margem de desperdício pretendida, a calculadora devolve de imediato a área total corrigida e o número de rolos a encomendar, evitando tanto a falta de material em obra como o excesso de encomenda.
O resultado actualiza automaticamente.
Ex: perímetro de fundação ou comprimento do terraço
Paredes: altura enterrada · Terraços: largura da zona de drenagem
Valor recomendado pelos fabricantes: 20 cm (Delta-MS, TECdrain)
10% para geometrias simples · 15% para muitos cantos ou remates
Delta-MS: 2,0 m · Fondaline: 2,5 m · TECdrain H15: 2,0 m
Mais comuns: 20 m (rolo de 40 m²) e 30 m (rolo de 60 m²)
Rolos necessários
para 25,0 m² de área
- Área por rolo
- 40 m²
- Área com sobreposição
- 27,78 m²
- Área total (com desperdício)
- 30,56 m²
Como funciona
Fórmula
Como funciona o cálculo
Como calcular a quantidade de tela pitonada
A tela pitonada é um componente de drenagem, não de impermeabilização. Coloca-se sobre a impermeabilização das fundações ou lajes para criar uma câmara de ar que permite o escoamento da água sem pressão sobre a membrana impermeabilizante. O cálculo da quantidade necessária exige conhecer a área bruta a cobrir, as dimensões do rolo disponível e a sobreposição a garantir entre tiras adjacentes.
A correcção de sobreposição: porquê é necessária
A sobreposição entre tiras consecutivas não é opcional, é estrutural. Sem ela, as juntas entre tiras ficam abertas e o solo entra para o interior do sistema, obstruindo progressivamente os canais de drenagem. O valor de referência habitual, usado também como sobreposição por defeito nesta calculadora, é de 20 cm entre tiras.
A consequência prática é que cada tira cobre menos área útil do que a sua largura nominal. Num rolo de 2,0 m de largura com 20 cm de sobreposição, a largura efectiva de cobertura por tira fica em 1,8 m. Para cobrir uma parede de 10 m por 2,5 m (25 m²), a área de material necessária não é 25 m², mas sim 25 × (2,0 / 1,8), ou seja, 27,8 m². Acrescentando 10% de margem de desperdício, chega-se a 30,5 m², pelo que 1 rolo de 40 m² é suficiente neste caso.
Em Angola, esta margem de desperdício ganha importância adicional em obras com fundações irregulares ou em terrenos com desníveis acentuados, situação comum em zonas de planalto como o Huambo e o Lubango, onde a topografia obriga a mais cortes e remates do que numa fundação rectangular simples. Nestes casos, uma margem de 15% é mais realista do que os 10% habituais em terrenos planos.
Tipos de membrana disponíveis
A oferta de membranas pitonadas no mercado agrupa-se, em geral, em três categorias, que diferem sobretudo na gramagem e nas dimensões do rolo:
| Categoria | Gramagem (g/m²) | Largura (m) | Comprimento (m) | Área por rolo (m²) |
|---|---|---|---|---|
| Membrana standard | 300–400 | 2,0 | 20 | 40 |
| Membrana de alta gramagem | 400–500 | 2,0 | 30 | 60 |
| Membrana de largura alargada | 300 | 2,5 | 20 | 50 |
| Membrana com geotêxtil incorporado | 300–400 | 1,5–2,0 | 20–30 | 30–60 |
Ajusta-se sempre os campos de largura e comprimento do rolo conforme o produto que se pretende adquirir, consultando a ficha técnica indicada pelo fabricante. A gramagem não afecta o cálculo de quantidade, mas é relevante para a resistência mecânica da membrana, sobretudo em fundações assentes em solos argilosos ou lateríticos, frequentes em várias regiões de Angola, e em obras com aterros de compactação mais exigentes.
Aplicações em paredes e em terraços
A orientação da membrana difere consoante a aplicação.
Em paredes enterradas e fundações, os pitos ficam voltados para a parede, encostados à impermeabilização. A câmara de ar criada pelos pitos fica entre a membrana e a impermeabilização, orientada de forma a conduzir a água de cima para baixo até ao dreno de base. As tiras colocam-se verticalmente, com a tira superior a cobrir a inferior nos 20 cm de sobreposição, para que a água não encontre uma junta ascendente.
Em terraços e coberturas ajardinadas, a membrana pitonada forma a camada de drenagem entre a impermeabilização da laje e o geotêxtil filtrante. Nesta aplicação horizontal, as sobreposições de 20 cm fazem-se lateralmente, em toda a periferia. Esta solução é cada vez mais frequente em edifícios com terraços ou lajes de garagem cobertas por jardim, especialmente em construções recentes nos grandes centros urbanos angolanos.
A versão com geotêxtil incorporado dispensa a colocação de uma manta geotêxtil separada, simplificando a execução. A versão sem geotêxtil exige que a manta filtrante seja colocada sobre a membrana antes de encostar o solo ou o substrato.
Erros frequentes na instalação
O erro mais grave é instalar a membrana com os pitos voltados para fora, em direcção ao solo, em vez de voltados para a impermeabilização. Nesta configuração, a câmara de ar fica do lado do solo e fica rapidamente colmatada por partículas finas, sobretudo em solos argilosos com elevada percentagem de finos. O canal de drenagem deixa de funcionar e a pressão hidrostática volta a actuar sobre a impermeabilização, que é exactamente o que a tela pitonada deve evitar.
Outro erro comum é ignorar a sobreposição nos cantos e encontros entre paredes perpendiculares. Em fundações com ângulos a 90°, a membrana precisa de ser cortada e sobreposta em ambas as direcções, com remates cuidados nas arestas. Nesses pontos, uma margem de desperdício de 15% (em vez dos 10% padrão) é mais adequada.
Por fim, não colocar o dreno de base na cota correcta é uma falha de concepção que a tela pitonada não consegue corrigir. A membrana drena a água até ao dreno; se este não tiver declive suficiente ou não estiver ligado a um destino (colector, vala de infiltração ou fossa de recolha), a água acumula-se junto à fundação. O cálculo da cota e do declive do dreno é separado do cálculo da quantidade de membrana e deve ser tratado como parte do projecto de drenagem.
Quando consultar um profissional
Para obras de reabilitação com infiltrações activas em cave ou fundações, ou para novas construções com mais de um piso enterrado, a concepção do sistema de drenagem deve ser verificada por um engenheiro civil. Em Angola, o quadro normativo de referência para geotêxteis e membranas de drenagem segue, na generalidade, a norma NP EN 13252:2016, herdada do sistema normativo português e europeu, na ausência de norma nacional própria para esta especificação.
Obras sujeitas a licenciamento junto da administração municipal competente devem ser acompanhadas de projecto de especialidades assinado por técnico habilitado. A Ordem dos Engenheiros de Angola mantém o registo dos profissionais habilitados a assinar este tipo de projecto, e a sua consulta é o ponto de partida recomendado sempre que a obra envolva fundações profundas, caves ou terrenos com lençol freático elevado.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre tela pitonada com e sem geotêxtil?
A tela pitonada com geotêxtil incorporado tem uma manta filtrante pré-colada sobre os pitos que impede as partículas de solo de entrar nos canais de drenagem. Na versão sem geotêxtil, é necessário colocar uma manta geotêxtil separada sobre a membrana antes de encostar ao solo. As versões com geotêxtil incorporado são, em geral, mais práticas para aplicação em terraços e coberturas ajardinadas, onde a colocação de uma manta adicional em obra é mais trabalhosa.
Qual a sobreposição correcta entre tiras de tela pitonada?
O valor de referência mais utilizado na instalação deste tipo de membrana é 20 cm de sobreposição entre tiras adjacentes. Esta sobreposição garante continuidade hidráulica do sistema e evita que partículas de solo entrem pelas juntas. Em paredes verticais, a tira superior deve cobrir a inferior nesses 20 cm; em pavimentos horizontais, a sobreposição faz-se lateralmente, em toda a periferia da área a cobrir.
Quantos m² tem um rolo de tela pitonada?
Depende do produto. Os rolos mais comuns no mercado são o de 2,0 m por 20 m (40 m²) e o de 2,0 m por 30 m (60 m²), havendo também versões de 2,5 m de largura por 20 m (50 m²). Confirma-se sempre as dimensões na embalagem ou na ficha técnica do fabricante e introduzem-se os valores na calculadora para obter o número exacto de rolos a encomendar.
A tela pitonada substitui a impermeabilização?
Não. A tela pitonada é uma membrana de drenagem, não de impermeabilização. É colocada sobre a impermeabilização (por exemplo, tela asfáltica ou membrana líquida) para a proteger mecanicamente e para drenar a água antes que esta exerça pressão hidrostática. Os dois sistemas são complementares: impermeabiliza-se primeiro a estrutura e só depois se coloca a membrana drenante.
Pode usar-se tela pitonada num jardim sobre uma laje de garagem?
Sim, é uma das aplicações mais comuns em edifícios com coberturas ajardinadas. A tela pitonada forma a camada de drenagem entre a impermeabilização da laje e o substrato de plantação ou o pavimento do jardim. Nesta configuração horizontal, usa-se preferencialmente a versão com geotêxtil incorporado, para filtrar as partículas de terra. A sobreposição de 20 cm faz-se lateralmente e reforça-se junto aos ralos e sumidouros.
Quando deve consultar-se um engenheiro para o sistema de drenagem de fundações?
Em obras novas com pisos enterrados, em reabilitações com infiltrações activas ou em qualquer situação com lençol freático elevado, o sistema de drenagem deve ser dimensionado por um engenheiro civil. Isso inclui o cálculo do caudal pluviométrico, o diâmetro e o declive dos drenos, a posição de caixas de visita e a ligação a um destino adequado. A tela pitonada é um componente do sistema, mas não substitui a concepção e o dimensionamento do conjunto, que deve seguir a norma NP EN 13252:2016 herdada do quadro normativo português.
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Pelo RivoCalc · Revisto segundo a metodologia editorial · Actualizado em 7 de junho de 2026
Esta calculadora estima apenas a quantidade de material a partir das dimensões indicadas. O dimensionamento do sistema de drenagem, incluindo declive, diâmetro e destino do dreno de base, deve ser verificado por um técnico habilitado, sobretudo em obras com infiltrações activas ou pisos enterrados.
