Calculadora de Seção de Cabo Elétrico (mm²)
Calcula a seção mínima do cabo elétrico em mm² pela potência, comprimento e queda de tensão, conforme NBR 5410:2004, para circuitos de 127 V e 220 V.
Para um aparelho de ar-condicionado de 1 100 W instalado em um apartamento em São Paulo, com circuito monofásico de 127 V, fator de potência de 0,85 e cabo de 25 m até o quadro de distribuição, a corrente de projeto é de 10,2 A. O critério de capacidade de condução autorizaria um cabo de 1,5 mm², mas o critério de queda de tensão da NBR 5410:2004 eleva a seção mínima necessária para 2,5 mm². Esse é o princípio central do dimensionamento: dois critérios independentes, prevalecendo sempre o mais restritivo.
Dimensionar corretamente a seção de um cabo elétrico é uma das tarefas mais críticas de qualquer projeto elétrico residencial ou comercial. Um cabo subdimensionado aquece em excesso durante o serviço, degrada o isolamento progressivamente e constitui risco real de incêndio. Um cabo superdimensionado é seguro, mas representa custo de material desnecessário — especialmente relevante em obras de maior porte, como edificações em Belo Horizonte, Curitiba ou Brasília, onde os quantitativos de cabos podem ser expressivos.
No Brasil, a NBR 5410:2004 (Instalações elétricas de baixa tensão), publicada pela ABNT, é a norma de referência obrigatória. Ela alinha os critérios técnicos nacionais com a série internacional IEC 60364, adotando o mesmo método de instalação B2 para cabos com isolamento em PVC embutidos em eletrodutos fixados em paredes ou tetos de alvenaria ou concreto.
A principal particularidade brasileira está na tensão de rede. O padrão residencial mais comum no Brasil é 127 V monofásico — adotado em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, entre outros estados. Algumas regiões, principalmente no Nordeste, operam em 220 V monofásico. Circuitos trifásicos industriais e comerciais operam a 220 V em todo o território. Confirme sempre a tensão fornecida pela concessionária local antes de iniciar qualquer projeto de dimensionamento.
A NBR 5410 limita a queda de tensão em circuitos terminais a 4 % da tensão nominal — valor único para todos os tipos de circuito, o que simplifica o cálculo. Esta calculadora aplica os dois critérios cumulativos e indica a seção normalizada mínima que os satisfaz simultaneamente.
O resultado é atualizado automaticamente.
1,0 para cargas resistivas (aquecedores) · 0,85 a 0,92 para motores e ar condicionado
Distância total do quadro elétrico até o equipamento ou tomada
Bitola recomendada
Por corrente: 1.5 mm² · Por queda de tensão: 1.5 mm²
- Corrente de projeto
- 9,6 A
- Mínimo por corrente (método B2)
- 1.5 mm²
- Mínimo por queda de tensão
- 1.5 mm²
- Queda de tensão efetiva
- 1,55 %
- Disjuntor recomendado
- 10 A
Como funciona
Fórmula
Como funciona o cálculo
Como calcular a seção de um cabo elétrico em mm²
Dimensionar a seção de um cabo elétrico significa encontrar o condutor com a menor seção transversal que ainda cumpra dois critérios simultâneos: suportar a corrente de projeto sem superaquecer em regime permanente, e manter a queda de tensão dentro do limite estabelecido pela NBR 5410:2004. O condutor instalado deve atender a ambos — prevalece sempre a seção mais restritiva.
Critério 1: capacidade de condução de corrente
O primeiro critério garante que a temperatura do isolamento não excede o limite de segurança em regime permanente. Para cabos com isolamento em PVC instalados em eletroduto embutido em parede ou teto de alvenaria ou concreto (método B2 da IEC 60364-5-52, referenciado pela NBR 5410), a temperatura máxima admissível é de 70 °C.
A corrente de projeto (Ib) calcula-se a partir da potência ativa e do tipo de alimentação:
- Circuito monofásico (127 V ou 220 V): Ib = P / (V × cos φ)
- Circuito trifásico (220 V): Ib = P / (√3 × V × cos φ)
Com Ib calculado, consulta-se a tabela de capacidades de condução por seção normalizada, para o método B2, isolamento PVC e condutor de cobre. Os valores de referência para circuitos monofásicos são: 1,5 mm² suporta 15,5 A; 2,5 mm² suporta 21 A; 4 mm² suporta 27 A; 6 mm² suporta 34 A; 10 mm² suporta 46 A; 16 mm² suporta 62 A; 25 mm² suporta 80 A; 35 mm² suporta 99 A.
Seleciona-se a primeira seção normalizada cujo valor de Iz seja igual ou superior a Ib.
Critério 2: queda de tensão
O segundo critério limita a perda de tensão ao longo do percurso do cabo. A resistência elétrica de um condutor de cobre é proporcional ao comprimento e inversamente proporcional à seção transversal. Em circuitos longos — como a alimentação de um painel de automação em um galpão industrial em Curitiba, ou a fiação de um chuveiro em apartamento com prumada distante do quadro —, mesmo correntes moderadas podem causar quedas de tensão superiores ao limite normativo.
A NBR 5410:2004 estabelece queda de tensão máxima de 4 % da tensão nominal para circuitos terminais. A seção mínima exigida por este critério é:
S_vd = (k × ρ × L × Ib) / ΔU_max
Onde k = 2 para circuito monofásico (ida e volta) ou √3 para trifásico; ρ = 1/56 Ω·mm²/m (resistividade do cobre a 20 °C); L = comprimento do cabo em metros; ΔU_max = 4 % × V (em volts).
Exemplo prático de dimensionamento
Para um chuveiro elétrico de 5 500 W instalado em circuito monofásico de 220 V, com percurso de fiação de 30 m e cos φ = 1,0:
- Corrente de projeto: Ib = 5 500 / (220 × 1,0) = 25,0 A
- Critério de corrente: Iz(2,5 mm²) = 21 A < 25 A; Iz(4 mm²) = 27 A ≥ 25 A → S_ic = 4 mm²
- Critério de queda de tensão: S_vd = (2 × (1/56) × 30 × 25) / (0,04 × 220) ≈ 3,04 mm² → seção normalizada: 4 mm²
- Seção a instalar: 4 mm² — ambos os critérios convergem para a mesma seção.
Se o mesmo chuveiro estiver a 50 m do quadro, S_vd sobe para aproximadamente 5,07 mm², impondo a seleção de 6 mm² mesmo que a corrente de 25 A ainda pudesse ser suportada por 4 mm² (Iz = 27 A). É nesse regime — circuito longo com corrente moderada — que o critério de queda de tensão passa a ser o fator dimensionante.
Resultado final
A seção a instalar deve ser a maior entre a exigida pelo critério de corrente e a exigida pelo critério de queda de tensão, arredondada para a seção normalizada imediatamente superior disponível no mercado. As seções normalizadas comerciais são: 1,5 — 2,5 — 4 — 6 — 10 — 16 — 25 — 35 — 50 — 70 mm². Cabos flexíveis e rígidos nessas seções são fabricados no Brasil por marcas como Prysmian, Nexans e Conduspar, e estão disponíveis nas principais redes de material elétrico e de construção do país.
Perguntas frequentes
Que seção de cabo usar para um circuito de tomadas doméstico?
Para um circuito de tomadas de uso geral (sala, quartos, cozinha) com comprimento até 20 m e protegido por disjuntor de 16 A em instalação de 127 V, a seção mínima pelo critério de corrente é 2,5 mm² (Iz = 21 A, método B2). Para comprimentos maiores, verifique também o critério de queda de tensão de 4 % da NBR 5410:2004.
Qual a diferença entre o dimensionamento monofásico e trifásico?
Em um circuito monofásico, a corrente circula em um único par de condutores (fase e neutro), portanto o comprimento é duplicado no cálculo da queda de tensão (k = 2). Em um circuito trifásico equilibrado, as três fases repartem a carga e o fator de comprimento é √3, o que reduz a queda de tensão para a mesma carga e o mesmo cabo.
O que é o método B2 e quando se aplica?
O método B2 da norma IEC 60364-5-52, referenciada pela NBR 5410, descreve a instalação de cabos em eletroduto embutido em parede ou teto de alvenaria ou concreto, a temperatura ambiente de 30 °C. É o método mais comum em edificações residenciais e comerciais brasileiras.
Por que circuitos longos precisam de cabos mais grossos?
A resistência elétrica de um cabo é proporcional ao comprimento e inversamente proporcional à sua seção. Em circuitos longos, mesmo correntes moderadas provocam quedas de tensão significativas. Para manter a queda dentro do limite de 4 % exigido pela NBR 5410:2004, é necessário aumentar a seção do cabo.
Qual norma define as seções mínimas dos cabos no Brasil?
A principal referência normativa no Brasil é a NBR 5410:2004 (Instalações elétricas de baixa tensão), publicada pela ABNT. Ela é complementada pela NBR 5419 (proteção contra descargas atmosféricas), NBR 14136 (tomadas e plugues) e pelos regulamentos técnicos das concessionárias locais de energia elétrica.
A tensão de 127 V ou 220 V interfere no dimensionamento do cabo?
Sim, diretamente. Para a mesma potência, um circuito de 127 V exige o dobro da corrente em relação a um de 220 V, resultando em cabos de seção maior. Por isso, equipamentos de alta potência — como chuveiros elétricos de 5 500 W — devem ser instalados em 220 V sempre que a rede da concessionária permitir, reduzindo a seção necessária e o custo total da instalação.
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Pelo RivoCalc · Revisado segundo a metodologia editorial · Atualizado em 21 de junho de 2026
Esta calculadora é uma ferramenta de apoio ao dimensionamento preliminar conforme NBR 5410:2004. O projeto e a execução de instalações elétricas devem ser realizados e supervisionados por profissional habilitado (eletricista ou engenheiro eletricista registrado no CREA). Verifique sempre a tensão fornecida pela concessionária local antes de iniciar qualquer projeto.
