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Calculadora de DSTI e Taxa de Esforço

Calcula o DSTI do agregado com o agravamento de taxa que a avaliação da solvabilidade exige. Compara o rácio corrente com o rácio de stress.

O DSTI é a proporção da renda mensal líquida absorvida pelas prestações de crédito: somam-se todas as prestações mensais do agregado e divide-se o total pela renda líquida desse mesmo agregado. Se as prestações consumirem metade do que entra na conta ao fim do mês, o DSTI é de metade. A divisão é trivial, mas o número que a instituição de crédito registra é quase sempre superior ao que sai desta conta direta.

A razão está no método da avaliação de solvabilidade. A prestação do crédito que se está a pedir não entra pelo valor contratado: entra agravada por uma subida hipotética da taxa de juro, tanto maior quanto mais longo for o prazo. Quando o contrato se prolonga para além da idade de aposentadoria, junta-se um segundo ajustamento, que antecipa a quebra de rendimento dessa fase da vida. O resultado é um rácio de stress, mais conservador do que a fotografia do mês corrente.

Esta calculadora segue esse caminho. Introduz-se o rendimento líquido do agregado, o total das prestações já contratadas e as condições do novo crédito. A partir daí calcula-se a prestação do novo empréstimo pelo sistema francês, que é o método de amortização usado na generalidade do crédito imobiliário no Brasil, e repete-se o cálculo com a taxa agravada. O resultado mostra os dois rácios lado a lado: o que a família vê hoje e o que a instituição vai registar na análise.

Serve para quem prepara um pedido de crédito imobiliário, para quem quer perceber quanto espaço sobra antes de contratar um crédito automóvel, e para quem já tem vários empréstimos e quer saber onde está antes de pedir mais um.

O resultado é atualizado automaticamente.

Soma das rendas líquidas de todos os titulares, depois de impostos e contribuições

Total mensal de financiamento imobiliário, de veículo, crédito pessoal e cartão parcelado

Capital que se pretende financiar no novo contrato

Duração total do novo contrato, em anos

Taxa nominal anual esperada para o novo contrato

Pontos percentuais somados à taxa para simular uma alta futura, como faz a análise de crédito

DSTI com acréscimo

52,2%

Relação entre o serviço da dívida e a renda líquida, com a parcela do novo financiamento já acrescida

Parcela do novo financiamento
R$ 709,57
Parcela com acréscimo
R$ 849,16
Total de encargos mensais
R$ 1.149,16
DSTI sem acréscimo
45,9 %
DSTI dos financiamentos atuais
13,6 %
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Como funciona

1

Introduza a renda mensal líquida do agregado, somando os rendimentos de todos os titulares depois de IRPF e contribuições ao INSS.

2

Indique o total das prestações mensais dos créditos já contratados, incluindo cartões pagos em prestações e responsabilidades como avalista.

3

Preencha as condições do novo crédito: montante, prazo em anos e taxa de juro anual esperada.

Fórmula

DSTI = ((ΣPa + Pn) / R) × 100, com Pn = M × i / (1 − (1 + i)⁻ⁿ)
DSTIRácio entre o serviço da dívida e a renda, expresso em percentagem
ΣPaSoma das prestações mensais dos créditos já contratados pelo agregado
PnPrestação mensal do novo crédito, calculada pelo sistema francês com a taxa já agravada pelo teste de stress (ou Pn = M / n se taxa de juro for zero)
RRenda mensal líquida do agregado, após impostos (IRPF) e contribuições ao INSS
MMontante do novo crédito
iTaxa de juro mensal, obtida dividindo a taxa anual agravada por doze
nNúmero total de prestações, igual ao prazo em anos multiplicado por doze

Como funciona o cálculo

DSTI: o rácio que decide se o crédito é aprovado

Quem pede crédito no Brasil descobre cedo que há um número que pesa mais do que todos os outros. Chama-se DSTI, sigla inglesa de debt service to income, e corresponde ao que em português se designa por taxa de esforço. Mede a parte da renda mensal líquida que fica comprometida com o pagamento de prestações de crédito.

As instituições de crédito calculam este rácio antes de decidir. E calculam-no de forma mais exigente do que a conta simples que a maioria das pessoas faz em casa. A diferença está no agravamento: a prestação que entra no rácio não é a prestação de hoje, é a prestação num cenário de subida das taxas de juro. É por isso que uma família conclui que tem folga e recebe depois uma resposta negativa. Esta calculadora reproduz as duas contas, a corrente e a agravada.

O que entra no numerador e no denominador

O numerador soma tudo o que se paga por mês a título de crédito: crédito imobiliário, crédito automóvel, crédito pessoal, saldos de cartão em pagamento parcelado e linhas de crédito associadas à conta. Contam as prestações de todos os titulares do agregado, não apenas as de quem assina o novo contrato. Contam também as responsabilidades assumidas como avalista, porque o risco existe mesmo quando o pagamento corre por outra pessoa.

O denominador é a renda mensal líquida do agregado, ou seja, aquilo que entra efetivamente na conta depois do IRPF e das contribuições ao INSS. Entram salários líquidos, pensões, rendas recebidas e outros rendimentos regulares e declarados. Não entram rendimentos ocasionais, apoios pontuais nem trabalho não declarado, porque nenhuma instituição os aceita como base de análise.

Um detalhe muda tudo na prática. Um casal em São Paulo em que apenas um dos membros aparece como titular apresenta um rácio bastante mais alto do que o mesmo casal com os dois como co-titulares, porque o segundo rendimento fica de fora do denominador. Antes de submeter o pedido, compensa testar as duas configurações.

Porque é que o rácio do banco é sempre mais alto

A avaliação de solvabilidade exige que a prestação do novo contrato seja simulada com uma taxa de juro superior à contratada. A lógica é direta: um empréstimo a taxa variável acompanha o indexante, e o indexante sobe. Se o agregado só aguenta a prestação no cenário mais favorável, o crédito é frágil. O agravamento é maior nos prazos longos, porque há mais anos de exposição ao risco de subida.

Existe um segundo ajustamento, ligado à idade. Quando o contrato termina após a aposentadoria, a análise antecipa a redução de rendimento que a passagem à vida de aposentado costuma implicar. O rácio deixa de assentar apenas na renda atual e passa a considerar a renda previsível no final do prazo. É por isso que alargar o prazo nem sempre melhora a posição de quem pede: baixa a prestação, mas empurra o contrato para uma fase da vida com menos rendimento.

O Banco Central do Brasil, através da sua estrutura normativa sobre concessão de crédito, estabelece orientações e limites para este rácio. Embora as orientações não sejam proibições legais absolutas, as instituições de crédito as seguem rigorosamente, com margem limitada de exceções em cada período. Na prática, quem fica acima do limite não é recusado automaticamente, mas passa a competir por essa margem estreita.

Erros comuns a evitar

O primeiro erro é usar a renda bruta. O rácio calcula-se sobre o líquido, e a distância entre os dois chega para transformar um resultado confortável num resultado apertado.

O segundo é esquecer os créditos pequenos. Um cartão pago em prestações ou um crédito de eletrodomésticos parecem irrelevantes isoladamente, mas somam-se ao numerador e ficam visíveis nos registos de crédito que as instituições consultam antes de decidir.

O terceiro é confundir taxa de esforço com orçamento familiar. O DSTI mede crédito e mais nada. Não inclui aluguel de casa, condomínio, creche, transportes nem alimentação. Dois agregados com o mesmo rácio podem ter folgas muito diferentes, porque aquilo que sobra em termos absolutos depende do nível de rendimento. Uma família de Curitiba com rendimento modesto pode ficar sem margem num rácio que noutro agregado seria tranquilo.

O quarto é somar bônus e gratificações extraordinárias como se fossem rendimento mensal regular. Os décimos terceiros não transformam a renda mensal regular, e é sobre essa renda regular que a análise trabalha.

Quando falar com um profissional

Esta calculadora reproduz o método com fidelidade, mas não substitui a análise da instituição. A decisão final pondera ainda o histórico de inadimplências, a estabilidade e o tipo de vínculo laboral, a relação entre o montante emprestado e o valor da garantia, e a antiguidade da relação bancária. Quando o rácio calculado fica perto do limite recomendado, compensa falar com um intermediário de crédito registado junto ao Banco Central do Brasil, que compara propostas de várias instituições e identifica qual delas tem margem disponível para o perfil em causa.

O Banco Central do Brasil é o supervisor das instituições de crédito e publica, através de seus sistemas oficiais, as séries de taxas de juro e índices de referência para o mercado de crédito. O regime dos contratos de crédito é estabelecido pela Lei de Usura e pela legislação complementar do Banco Central, que enquadram a obrigação de avaliação de solvabilidade que sustenta este cálculo.

Perguntas frequentes

O que significa DSTI e é o mesmo que taxa de esforço?

DSTI é a sigla inglesa de debt service to income, que se traduz por serviço da dívida sobre renda. Em português o mesmo indicador é conhecido por taxa de esforço. Os dois termos designam o mesmo rácio: a parte da renda mensal líquida comprometida com prestações de crédito. A sigla DSTI aparece sobretudo na linguagem de supervisão do Banco Central do Brasil, enquanto taxa de esforço é o termo do dia a dia.

Como se calcula o DSTI?

Somam-se todas as prestações mensais de crédito do agregado, incluindo o crédito que se pretende contratar, e divide-se esse total pela renda mensal líquida do agregado. O resultado multiplica-se por cem para ficar em percentagem. A prestação do novo crédito calcula-se pelo sistema francês, com prestação constante ao longo do prazo, e entra no cálculo já com o agravamento de taxa exigido pela avaliação de solvabilidade.

Que rendimentos e que encargos entram no cálculo?

Na renda entra tudo o que é regular, declarado e líquido: salários depois de IRPF e contribuições ao INSS, pensões, rendas recebidas e outros rendimentos estáveis de todos os titulares. Nos encargos entram todas as prestações de crédito ativas, do crédito imobiliário ao crédito pessoal, ao automóvel e aos saldos de cartão pagos em prestações. Aluguéis de casa, condomínio e despesas correntes ficam de fora, porque o rácio mede endividamento e não orçamento familiar.

Porque é que o banco chega a um DSTI mais alto do que o meu?

Porque a instituição não usa a prestação nas condições atuais. Aplica um agravamento à taxa de juro do novo contrato para testar a capacidade de pagamento num cenário de subida, com um agravamento maior nos prazos mais longos. Se o contrato terminar após a aposentadoria, considera ainda a redução de rendimento esperada nessa altura. Além disso soma responsabilidades que muitas pessoas esquecem, como créditos de que são avalistas.

Como se pode baixar o DSTI antes de pedir crédito?

As vias mais eficazes são reduzir o numerador ou aumentar o denominador. Liquidar créditos de curto prazo e custo elevado, como cartões e créditos pessoais pequenos, liberta espaço imediato. Dar uma entrada maior no crédito imobiliário reduz o montante financiado e, com ele, a prestação. Incluir um segundo titular com renda declarada aumenta a renda considerada. Consolidar créditos num só contrato baixa a prestação mensal, embora tenda a aumentar o custo total dos juros.

Quando devo consultar um profissional?

Sempre que o rácio calculado ficar perto do limite recomendado, ou quando existem várias responsabilidades ativas e não é claro quais bloqueiam a aprovação. Um intermediário de crédito registado junto ao Banco Central do Brasil compara propostas de várias instituições e conhece a margem de exceções que cada uma tem disponível. Para decisões de crédito imobiliário, esta conversa deve acontecer antes da assinatura do contrato-promessa, não depois.

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Pelo RivoCalc · Revisado segundo a metodologia editorial · Atualizado em 15 de agosto de 2026

Esta calculadora fornece uma estimativa para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. Os valores reais dependem das condições de cada instituição e da situação específica de cada agregado. Para decisões de crédito, consulte um profissional qualificado ou a sua instituição.