Calculadora de Montante de Crédito por Prestação
Montante de crédito que uma prestação mensal permite financiar, com base no prazo e na TAN, pela fórmula inversa da tabela Price.
A título ilustrativo, com uma TAN de 18% e um prazo de 20 anos, cada unidade monetária de prestação mensal financia cerca de 64,8 unidades monetárias de capital. Esse coeficiente depende apenas do prazo e da taxa de juro, e é ele que liga a prestação ao montante de crédito.
Num crédito amortizado pela tabela Price, a prestação mensal fixa a fatia do orçamento que fica comprometida. A partir dessa prestação, do prazo e da taxa de juro, é possível estimar quanto capital uma instituição de crédito consegue emprestar. Em prazos longos, a maior parte das primeiras prestações paga juros e só uma pequena parte reduz o capital em dívida.
Esta calculadora responde ao inverso da pergunta que a maioria dos simuladores faz. Em vez de partir de um montante para chegar à prestação, parte da prestação que o orçamento suporta para chegar ao capital. É uma pergunta frequente em Maputo, na Matola, na Beira, em Nampula ou em Quelimane, onde muitas famílias definem primeiro o valor que conseguem pagar por mês e só depois avaliam se o crédito compensa.
O modelo serve para o crédito à habitação, o crédito pessoal e o crédito automóvel, desde que o contrato use prestações constantes. O que muda entre estes produtos são a taxa e o prazo típico. Por isso, a mesma prestação pode financiar montantes muito diferentes conforme o tipo de crédito, e os resultados só são comparáveis quando se usam as condições reais de cada proposta.
O campo que interessa introduzir é a TAN do contrato, e não a TAEG. A TAN é a taxa de juro pura que entra na fórmula, enquanto a TAEG agrega comissões e seguros.
O resultado actualiza automaticamente.
Valor que o orçamento familiar permite pagar por mês
Duração pretendida do empréstimo, em anos
Taxa de juro do contrato, sem incluir comissões ou seguros
Montante de crédito estimado
Capital que estas condições permitem financiar
- Total a pagar
- 216 000 MTn
- Total de juros
- 90 323 MTn
Como funciona
Fórmula
Como funciona o cálculo
Como se calcula o montante de crédito a partir da prestação
A pergunta mais frequente de quem procura crédito é o inverso da que os simuladores costumam responder. Em vez de partir de um montante para chegar à prestação, muitas pessoas sabem primeiro quanto podem pagar por mês e querem saber que capital essa quantia permite financiar. Esta calculadora responde a essa pergunta: dada a prestação que o orçamento suporta, o prazo e a taxa de juro, estima o montante de crédito correspondente.
O modelo mais usado para o crédito à habitação, o crédito pessoal e o crédito automóvel é a tabela Price, também designada sistema francês de amortização. Neste sistema, a prestação mensal mantém-se constante durante todo o contrato, mas a composição interna da prestação muda a cada mês. No início, a maior parte da prestação corresponde a juros. À medida que o capital em dívida diminui, cresce a parcela que amortiza capital. Por isso, num crédito de prazo longo, os primeiros anos reduzem pouco a dívida, o que deve ser tido em conta por quem planeia uma compra com financiamento.
A fórmula do montante
O montante de crédito é o valor atual de uma sucessão de prestações iguais, descontadas à taxa mensal do contrato. A partir da fórmula da anuidade do sistema Price, isola-se o capital C:
C = P × [1 − (1 + r)^(−n)] / r
onde P é a prestação mensal, r é a taxa mensal (a TAN dividida por 1200) e n é o número de prestações (o prazo em anos multiplicado por doze). O fator entre parênteses é o coeficiente de valor atual de uma renda constante: multiplica a prestação e devolve o capital que ela consegue liquidar ao longo do prazo.
Quando a taxa de juro é nula, a expressão simplifica-se para C = P × n, ou seja, o capital é a soma das prestações. Com juro positivo, o capital financiável é sempre inferior a essa soma, porque parte de cada prestação paga juros e não reduz a dívida. É por isso que o total pago no fim do contrato supera o montante inicialmente emprestado, e a diferença é o custo dos juros.
O efeito do prazo e da taxa
Duas variáveis comandam o resultado. Um prazo mais longo distribui a mesma prestação por mais meses, o que aumenta o capital financiável, mas também eleva o total de juros pagos ao longo do contrato. Uma taxa de juro mais baixa reduz a fatia de juros de cada prestação, deixando mais espaço para amortizar capital, e por isso aumenta o montante que a mesma prestação consegue financiar.
Um exemplo ajuda a fixar a mecânica. Para uma família de Maputo que consiga suportar uma prestação estável, o montante financiável num crédito à habitação a vinte anos é muito superior ao que a mesma prestação permitiria num crédito pessoal a cinco anos, mesmo com uma taxa semelhante. O prazo mais curto concentra a devolução do capital em menos meses, e por isso a prestação cobre uma fatia menor do capital total. Os créditos de prazo longo financiam, assim, montantes muito superiores aos do crédito ao consumo.
A relação entre taxa e prazo também se vê no custo. Quanto mais longo o contrato, maior tende a ser o rácio entre os juros totais e o capital emprestado, pelo que a mesma taxa pode representar um encargo muito diferente conforme a duração escolhida.
Erros comuns ao estimar o montante
O primeiro erro é confundir a TAN com a TAEG. A TAN (Taxa Anual Nominal) é a taxa de juro pura do contrato e é a que entra nesta fórmula. A TAEG (Taxa Anual Efetiva Global) inclui, além dos juros, comissões, seguros e outros encargos e, em regra, é superior à TAN. A TAEG serve para comparar propostas de instituições diferentes, mas não é a taxa que se usa para calcular o capital pelo sistema Price.
O segundo erro é esquecer que a prestação não é o único encargo. Os contratos podem prever comissões e seguros, que não entram nesta estimativa de capital e cujo peso se reflete na TAEG, e não na TAN. O terceiro erro é tomar o montante calculado como valor aprovado. A concessão depende da avaliação de solvabilidade da instituição de crédito, que considera a taxa de esforço, o rácio entre o empréstimo e o valor do bem financiado e outros critérios de risco.
Um quarto erro, frequente em contas feitas à mão, é usar a TAN diretamente como taxa mensal ou esquecer a conversão do prazo para meses. Na fórmula, a TAN em percentagem dividida por 1200 dá a taxa mensal em forma decimal, e o número de prestações é o prazo em anos multiplicado por doze.
Quando usar e quando não usar
A calculadora é adequada quando a taxa é fixa, ou quando se pretende uma estimativa inicial assente numa taxa constante durante todo o prazo. Não deve ser a única base de decisão nos créditos de taxa variável, indexados a uma taxa de referência do mercado interbancário ou a outro indexante contratual. Nestes créditos, a prestação ajusta-se periodicamente à evolução do indexante, pelo que o montante estimado serve apenas como referência de partida.
Também não serve para créditos com período de carência, em que as primeiras prestações só pagam juros, nem para créditos com prestações irregulares ou com uma prestação final residual. Nesses casos, a fórmula da tabela Price não descreve o plano de pagamentos, e o resultado pode afastar-se muito da realidade.
Enquadramento regulador
A Lei n.º 20/2020, que aprova a Lei das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, regula a constituição, o funcionamento e o regime de supervisão das instituições de crédito e das sociedades financeiras em Moçambique. Nos termos desse diploma, a supervisão destas entidades cabe ao Banco de Moçambique, cuja informação oficial e publicações estão disponíveis em www.bancomoc.mz.
Para comparar propostas, convém pedir por escrito a TAN, a TAEG, o plano de pagamentos completo e a lista de comissões e seguros. Esses elementos permitem recalcular o capital com a mesma fórmula e confirmar se a prestação oferecida corresponde ao montante pretendido.
Quando consultar um profissional
Quando a decisão de crédito pesa de forma relevante no orçamento familiar, convém recorrer a um intermediário de crédito legalmente habilitado ou a um consultor financeiro independente. Estes profissionais podem comparar propostas de várias instituições e avaliar o efeito de diferentes prazos e taxas sobre o montante e o custo total. Antes de assumir um compromisso, deve confirmar-se o plano de pagamentos junto da instituição de crédito, por escrito.
Perguntas frequentes
Que montante de crédito se consegue com uma determinada prestação?
O montante é o valor atual das prestações futuras, descontadas à taxa mensal do contrato. Calcula-se multiplicando a prestação pelo coeficiente [1 − (1 + r)^(−n)] / r, em que r é a TAN dividida por 1200 e n é o número de meses. Quanto mais longo o prazo e mais baixa a taxa, maior é o capital que a mesma prestação permite financiar.
Porque é que o total pago é superior ao montante do crédito?
Porque parte de cada prestação paga juros e não reduz o capital em dívida. A soma de todas as prestações é sempre superior ao capital emprestado, e essa diferença corresponde ao custo total dos juros. Só numa hipótese de taxa nula é que o total pago iguala o montante financiado.
Deve usar-se a TAN ou a TAEG nesta calculadora?
Usa-se sempre a TAN. A TAN é a taxa de juro pura que entra na fórmula do sistema Price. A TAEG inclui juros, comissões, seguros e outros encargos, e serve para comparar o custo total de propostas diferentes, mas não é a taxa que determina o capital financiável.
Serve para crédito à habitação, crédito pessoal e crédito automóvel?
Sim, desde que o crédito seja amortizado em prestações constantes pela tabela Price. O que muda entre os tipos de crédito são a taxa de juro e os prazos típicos, com prazos mais longos no crédito à habitação e mais curtos no crédito pessoal e automóvel. Basta introduzir a prestação, o prazo e a TAN adequados ao tipo de crédito em causa. Se o plano de pagamentos tiver outra estrutura, o resultado deve ser lido apenas como referência.
O montante calculado é o valor que a instituição de crédito vai aprovar?
Não necessariamente. O resultado é uma estimativa financeira a partir das condições introduzidas. A aprovação depende da avaliação de solvabilidade da instituição de crédito, que considera a taxa de esforço, o rácio entre o empréstimo e o valor do bem financiado e o perfil de risco do requerente. O montante aprovado pode ser inferior ao valor estimado, sobretudo quando o rendimento declarado não cobre a prestação com margem suficiente.
Quando se deve consultar um profissional?
Sempre que a decisão de crédito tenha peso relevante no orçamento familiar. Um intermediário de crédito legalmente habilitado pode comparar propostas de várias instituições e avaliar o impacto de diferentes prazos e taxas no montante e no custo total. Em caso de dúvida sobre as condições de uma proposta, pode consultar-se o Banco de Moçambique, supervisor das instituições de crédito nos termos da Lei n.º 20/2020, em www.bancomoc.mz.
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Pelo RivoCalc · Revisto segundo a metodologia editorial · Actualizado em 30 de julho de 2026
Esta calculadora fornece uma estimativa para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. Os valores reais dependem das condições de cada instituição de crédito e da situação financeira específica de cada pessoa. Para decisões financeiras relevantes, deve recorrer-se a um intermediário de crédito legalmente habilitado ou à instituição de crédito em causa.
