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RivoCalc

Calculadora de Potência Eléctrica por Divisão

Calcula a potência total e a corrente eléctrica necessária por divisão. Indica o disjuntor e a secção de cabo recomendados segundo o RTIEBT.

Em Portugal, boa parte das casas construídas antes dos anos 2000 tem instalações eléctricas que nunca foram dimensionadas para os equipamentos actuais. Um quarto que em 1990 albergava apenas iluminação e um rádio tem hoje ar condicionado, televisão, consola, carregadores e computador. A instalação, que nunca foi alterada, aguenta — até ao dia em que o disjuntor dispara pela terceira vez na mesma semana ou o cabo aquece o suficiente para derreter o revestimento.

O dimensionamento eléctrico por divisão é uma das verificações mais ignoradas em obras de remodelação em Portugal. O RTIEBT — Regras Técnicas de Instalações Eléctricas em Baixa Tensão, publicadas pela Portaria n.º 949-A/2006 — define os critérios mínimos para o cálculo de cargas, a escolha de disjuntores e a selecção da secção de cabos. O problema é que estes documentos não foram feitos para o proprietário comum — foram feitos para electricistas habilitados.

Esta calculadora traduz esses critérios numa ferramenta directa: introduz os equipamentos que tens ou prevês instalar numa divisão, e obtém imediatamente a potência simultânea, a corrente do circuito, o calibre do disjuntor adequado e a secção mínima do cabo. É o ponto de partida para perceber se a instalação existente está subdimensionada — e para conversar com um electricista com dados concretos na mão.

O resultado actualiza automaticamente.

Seleccionar o tipo preenche valores típicos — ajusta conforme necessário.

Soma das lâmpadas instaladas. LED: 5–15 W/ponto; halogéneo: 35–50 W/ponto.

TV (~100 W), computador (~80 W), consola (~150 W), carregadores, etc.

Ar condicionado (~1 000–3 500 W), convector (~1 000–2 000 W), toalheiro eléctrico (~200–600 W).

Fogão eléctrico (~6 000–7 000 W), forno (~2 000–3 500 W), máquina de lavar (~2 000 W).

Percentagem dos equipamentos que estão ligados ao mesmo tempo. 80% é o valor típico para habitação.

Disjuntor recomendado

10 A

Calibre mínimo para uma corrente de 7,3 A

Potência simultânea

1504 W

80% de 1880 W instalados

Potência instalada total
1880 W
Iluminação
80 W
Equipamentos / tomadas
300 W
Aquecimento / AC
1500 W
Outros equipamentos
0 W
Corrente no circuito
7,3 A
Secção mínima do cabo
1,5 mm²
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Como funciona

1

Selecciona o tipo de divisão — os valores típicos preenchem-se automaticamente.

2

Ajusta a potência de iluminação (soma das lâmpadas instaladas ou previstas).

3

Introduz a potência dos equipamentos ligados às tomadas e dos sistemas de aquecimento ou arrefecimento.

Fórmula

I = (P_inst × fs) / (V × 0,9)

  • ICorrente no circuito (A)
  • P_instPotência instalada total (W) = iluminação + equipamentos + aquecimento + outros
  • fsFactor de simultaneidade (decimal) — tipicamente 0,80 para habitação
  • VTensão de alimentação monofásica em Portugal — 230 V
  • 0,9Factor de potência (cos φ) típico para instalações domésticas

Como funciona o cálculo

Como calcular a potência eléctrica necessária por divisão

Dimensionar correctamente um circuito eléctrico é um problema com três variáveis: a potência instalada, o factor de simultaneidade e a tensão de alimentação. Errar em qualquer uma delas resulta num circuito subdimensionado — que dispara o disjuntor em situações normais de uso — ou sobredimensionado — que permite correntes acima da capacidade do cabo, com risco de sobreaquecimento.

Em Portugal, a tensão de alimentação monofásica é de 230 V e a frequência é de 50 Hz, tal como em toda a Europa continental. O factor de potência (cos φ) para cargas domésticas mistas situa-se habitualmente entre 0,85 e 0,95; o valor de 0,9 é o mais utilizado no dimensionamento simplificado previsto no RTIEBT.

A fórmula e o factor de simultaneidade

A corrente no circuito calcula-se pela lei de Ohm aplicada à potência activa: I = P / (V × cos φ). A potência a considerar não é a soma absoluta de todos os equipamentos — é a potência simultânea, isto é, a potência dos equipamentos que estão ligados ao mesmo tempo.

O factor de simultaneidade traduz exactamente isso. Numa divisão com 2 000 W instalados e um factor de 80%, a potência simultânea é 1 600 W. A corrente resultante — 1 600 / (230 × 0,9) ≈ 7,7 A — é a grandeza que determina o disjuntor necessário. O RTIEBT usa factores de 0,7 a 0,9 consoante o tipo de espaço; para habitação, 0,8 é o valor de referência mais comum.

Na prática, os electricistas em Portugal trabalham frequentemente com o valor conservador de 1,0 (factor de 100%) para circuitos de equipamentos fixos — fogões, máquinas de lavar, ar condicionado — onde a potência máxima pode ser atingida de forma contínua. Para circuitos de uso geral, 0,8 é adequado.

Disjuntores standard em Portugal e a sua capacidade

O mercado português, alinhado com a norma NP EN 60898-1, usa disjuntores de calibres normalizados: 6, 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50 e 63 A. A escolha recai no calibre imediatamente acima da corrente calculada. Um circuito com corrente de 9,5 A requer um disjuntor de 10 A; com 17,3 A, o disjuntor mínimo é de 20 A.

Para uma divisão típica num apartamento T2 em Lisboa com ar condicionado (1 800 W), televisão (100 W), computador (80 W) e iluminação LED (60 W), a corrente simultânea com factor de 80% fica em: (2 040 × 0,8) / (230 × 0,9) ≈ 7,9 A. Um disjuntor de 10 A é suficiente. Se houver um convector eléctrico de 2 000 W adicional, a corrente sobe para ≈ 15,6 A — o que exige um disjuntor de 16 A e rever o circuito existente.

As marcas com maior presença no mercado português de quadros eléctricos domésticos são Schneider Electric, Hager e Legrand Portugal. Os seus catálogos incluem disjuntores de curva B (para cargas resistivas e iluminação) e curva C (para motores, compressores e equipamentos com corrente de arranque elevada, como ar condicionado e máquinas de lavar).

Secção do cabo: a regra que muitos ignoram

A secção do cabo não é independente do disjuntor — é a sua condição de funcionamento seguro. Um cabo de 1,5 mm² suporta de forma contínua cerca de 16 A em instalação embutida; de 2,5 mm², até 20 A. O RTIEBT estabelece que a secção deve ser escolhida de forma a que a corrente máxima admissível pelo cabo seja igual ou superior ao calibre do disjuntor. Usar um disjuntor de 25 A num cabo de 1,5 mm² anula completamente a protecção — o disjuntor não disparará antes de o cabo atingir temperaturas de risco.

Em habitação, as secções mais comuns em Portugal são 1,5 mm² para iluminação (protegida por disjuntor de 10 A) e 2,5 mm² para tomadas normais (disjuntor de 16 A). Circuitos de aquecimento e ar condicionado exigem frequentemente 4 ou 6 mm² e disjuntor de 25 ou 32 A. O fogão eléctrico e o esquentador eléctrico têm quase sempre circuito dedicado de 6 mm² com disjuntor de 32 ou 40 A.

Erros comuns em instalações eléctricas domésticas

Ligar o ar condicionado numa tomada de uso geral. Um split de 3 500 W absorve sozinho 16,9 A — o limite de um circuito de tomadas de 16 A já com o cabo a trabalhar no limite. Na prática, o ar condicionado deve ter sempre circuito dedicado com protecção adequada e cabo de 4 mm².

Usar extensões permanentes como solução. As extensões domésticas não estão dimensionadas para uso permanente sob carga plena. Uma extensão com cabo de 1 mm² suporta 6 A; ligar um fogão de campanha e uma placa de indução por cima provoca aquecimento crónico do cabo. O calor degrada o isolamento gradualmente — o problema não é imediato, mas o risco de incêndio cresce com o tempo.

Ignorar a corrente de arranque. Equipamentos com motor — máquina de lavar, ar condicionado, frigorífico — têm correntes de arranque de 3 a 7 vezes a corrente nominal. Um ar condicionado de 10 A nominal pode puxar 50 A nos primeiros ciclos. Os disjuntores de curva C toleram estas pontas transitórias; os de curva B podem disparar mesmo com o circuito bem dimensionado para a corrente contínua.

Quando consultar um electricista habilitado

A calculadora serve para estimar cargas e verificar se uma instalação existente está dentro dos parâmetros razoáveis. Qualquer alteração real à instalação eléctrica — substituição de disjuntores, adição de circuitos, aumento de secção de cabos — é trabalho para técnico legalmente qualificado (entidade instaladora ou técnico responsável em nome individual), nos termos do Decreto-Lei n.º 96/2017, que estabelece o regime das instalações eléctricas de serviço particular alimentadas pela rede pública (em vigor desde 1 de Janeiro de 2018, substituindo o anterior regime CERTIEL). As regras técnicas aplicáveis constam da Portaria n.º 949-A/2006 (RTIEBT — Regras Técnicas das Instalações Eléctricas de Baixa Tensão), na sua redacção actual. Para obras com alteração do quadro eléctrico, a inspecção é solicitada a uma Entidade Inspectora de Instalações Eléctricas (EIIEL) reconhecida pela DGEG.

A DGEG — Direcção-Geral de Energia e Geologia é o serviço central do Estado com atribuições em política energética; é a autoridade competente para as regras técnicas das instalações eléctricas de baixa tensão em Portugal e gere o registo de entidades instaladoras e técnicos responsáveis pela execução ao abrigo do Decreto-Lei n.º 96/2017, que regula as instalações eléctricas de serviço particular alimentadas pela rede pública.

Perguntas frequentes

Qual a potência máxima permitida por tomada doméstica em Portugal?
Uma tomada doméstica standard (Schuko ou tipo F) aguenta em contínuo cerca de 2 300 W (16 A × 230 V / cos φ 0,9 ≈ 3 312 W brutos, mas na prática limita-se a 16 A pelo disjuntor do circuito). Para equipamentos com consumos acima de 2 000 W — fogões, esquentadores, máquinas de lavar — o RTIEBT recomenda circuito dedicado com protecção específica. Ligar um fogão eléctrico de 6 000 W numa tomada normal provoca disparos frequentes e sobreaquecimento do cabo.
Que disjuntor devo usar num quarto com ar condicionado?
Depende da potência do split. Um ar condicionado doméstico de 9 000 BTU tem potência eléctrica de 800 a 1 000 W; um de 12 000 BTU, 1 200 a 1 500 W. Para um quarto com split de 12 000 BTU (1 500 W), televisão (100 W) e iluminação (80 W), a corrente simultânea com factor de 80% fica em ≈ 7,4 A — disjuntor de 10 A. Se o quarto tiver também convector de 2 000 W, a corrente sobe para ≈ 17,1 A e o disjuntor mínimo passa para 20 A com circuito dedicado.
O que é o factor de simultaneidade e como afecta o dimensionamento?
O factor de simultaneidade é a proporção dos equipamentos instalados que funcionam ao mesmo tempo. Um quarto com 3 000 W instalados mas factor de 0,8 usa apenas 2 400 W em simultâneo. Este factor reduz o disjuntor necessário e, por consequência, a secção do cabo. O RTIEBT usa factores entre 0,7 e 0,9 para habitação. Para circuitos de equipamentos fixos com uso contínuo — fogão, chuveiro eléctrico — utiliza-se factor 1,0 (100%), porque podem funcionar à potência máxima durante longos períodos.
Que secção de cabo usar num circuito de tomadas normais?
Para tomadas domésticas normais protegidas por disjuntor de 16 A, o RTIEBT exige cabo mínimo de 2,5 mm². Para circuitos de iluminação com disjuntor de 10 A, o mínimo é 1,5 mm². Circuitos de aquecimento ou ar condicionado com disjuntor de 20 A requerem 2,5 mm²; com 25 A, 4 mm²; com 32 A, 6 mm². Usar uma secção inferior ao mínimo para o disjuntor instalado é uma situação de risco — o disjuntor não actua antes de o cabo atingir temperatura de degradação.
Posso ligar mais equipamentos num circuito de 16 A já existente?
Sim, desde que a corrente total não ultrapasse os 16 A do disjuntor — o que equivale a cerca de 3 312 W com cos φ de 0,9. Se o circuito já alimenta equipamentos que totalizam 2 000 W, podes adicionar mais 1 300 W sem risco de disparo em condições normais. O problema surge quando equipamentos com corrente de arranque elevada (ar condicionado, máquina de lavar) causam picos momentâneos que disparam o disjuntor mesmo com a corrente contínua dentro do limite.
Quando é obrigatório contratar um electricista habilitado em Portugal?
Qualquer trabalho em instalações eléctricas fixas — substituição de disjuntores, adição de circuitos, alteração de quadro eléctrico — exige técnico legalmente qualificado (entidade instaladora ou responsável técnico em nome individual). O regime aplicável é o Decreto-Lei n.º 96/2017 (em vigor desde 1 de Janeiro de 2018, que substituiu o anterior regime CERTIEL), com as regras técnicas da Portaria n.º 949-A/2006 (RTIEBT). Obras que alterem o quadro implicam inspecção por Entidade Inspectora de Instalações Eléctricas (EIIEL) reconhecida pela DGEG. Pequenas intervenções como substituição de uma tomada ou interruptor podem ser feitas pelo proprietário, mas qualquer trabalho no quadro ou em circuitos novos é da responsabilidade do técnico qualificado.

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Pelo RivoCalc · Revisto segundo a metodologia editorial · Actualizado em 12 de maio de 2026

Esta calculadora destina-se apenas a fins informativos. Os resultados são estimativas baseadas em fórmulas padrão e podem variar consoante as condições reais. Consulte um profissional para decisões importantes.