Calculadora de Secção de Cabo Eléctrico (mm²)
Calcula a secção mínima do cabo eléctrico em mm² a partir da potência, comprimento e queda de tensão. Conforme RTIEBT (Portaria n.º 949-A/2006) e IEC 60364-5-52, método B2.
O resultado actualiza automaticamente.
1,0 para cargas resistivas (aquecedores) · 0,85 a 0,92 para motores e ar condicionado
Distância total do quadro eléctrico até ao equipamento ou tomada
Secção recomendada
1.5mm²
Por corrente: 1.5 mm² · Por queda de tensão: 1.5 mm²
- Corrente de projecto
- 9,2 A
- Mínimo por corrente (método B2)
- 1.5 mm²
- Mínimo por queda de tensão
- 1.5 mm²
- Queda de tensão efectiva
- 1,42 %
- Disjuntor recomendado
- 10 A
Como funciona
Introduz a potência total da carga em quilowatts (kW). Para um motor de 2,2 kW escreve 2.2; para um conjunto de tomadas com carga estimada de 3 kW escreve 3.
Selecciona o tipo de alimentação: monofásica (230 V, circuitos domésticos habituais) ou trifásica (400 V, para motores, bombas de calor e equipamentos industriais).
Ajusta o factor de potência (cos φ) conforme a carga. Usa 1,0 para aquecedores e termoacumuladores; valores entre 0,85 e 0,92 são típicos para motores e ar condicionado.
Fórmula
Ib = P / (V × cos φ) [mono] ou P / (√3 × V × cos φ) [tri]; S_vd = (k × ρ × L × Ib) / ΔU_max
- Ib — corrente de projecto (A): corrente máxima em regime permanente que o cabo deve suportar
- P — potência activa da carga (W)
- V — tensão nominal: 230 V monofásico ou 400 V trifásico (Portugal/Espanha); 220/380 V no Brasil
- cos φ — factor de potência da carga (adimensional, 0,5 a 1,0)
- ρ — resistividade do cobre: 1/56 Ω·mm²/m a 20 °C (condutividade γ = 56 m/(Ω·mm²))
- k — factor de circuito: 2 para monofásico (ida e volta) ou √3 para trifásico
- L — comprimento do cabo (m)
- ΔU_max — queda de tensão máxima admissível (V): 3 % × V para iluminação; 5 % × V para outros circuitos
- S_vd — secção mínima exigida pela queda de tensão (mm²); selecciona-se a secção normalizada imediatamente superior
- Iz — capacidade de condução de corrente (A) da secção normalizada, método B2, PVC, cobre (IEC 60364-5-52)
Fontes:
- RTIEBT — Portaria n.º 949-A/2006: Regras Técnicas das Instalações Eléctricas de Baixa Tensão
- IEC 60364-5-52: Electrical installations of buildings — Selection and erection of electrical equipment — Wiring systems
- DGEG — Direção-Geral de Energia e Geologia: instalações eléctricas de baixa tensão em Portugal
Como funciona o cálculo
Como calcular a secção de um cabo eléctrico em mm²
Dimensionar correctamente a secção de um cabo eléctrico é uma das tarefas fundamentais de qualquer instalação eléctrica. Uma secção subdimensionada aquece em excesso durante o serviço, degrada o isolamento e constitui risco de incêndio; uma secção sobredimensionada representa custo material desnecessário. A RTIEBT (Regras Técnicas das Instalações Eléctricas de Baixa Tensão), publicada pela Portaria n.º 949-A/2006, e a norma internacional IEC 60364-5-52 definem dois critérios cumulativos que determinam a secção mínima: a capacidade de condução de corrente e a queda de tensão máxima admissível. O cabo instalado tem de satisfazer os dois critérios em simultâneo.
Critério 1: capacidade de condução de corrente
O primeiro critério é o mais directo: o cabo deve conduzir a corrente de projecto sem que a temperatura do condutor exceda o limite de segurança do isolamento. Para cabos com isolamento em PVC instalados em tubo embebido em parede de betão ou alvenaria (método B2 da IEC 60364-5-52), a temperatura máxima admissível é de 70 °C em regime permanente.
A corrente de projecto (Ib) calcula-se a partir da potência activa e do tipo de alimentação:
- Circuito monofásico (230 V): Ib = P / (V × cos φ)
- Circuito trifásico (400 V): Ib = P / (√3 × V × cos φ)
Com Ib calculado, consulta-se a tabela de capacidades de condução por secção normalizada, para o método B2, isolamento PVC e condutor de cobre. Os valores de referência para circuitos monofásicos são: 1,5 mm² suporta 15,5 A; 2,5 mm² suporta 21 A; 4 mm² suporta 27 A; 6 mm² suporta 34 A; 10 mm² suporta 46 A; 16 mm² suporta 62 A; 25 mm² suporta 80 A; 35 mm² suporta 99 A. Para circuitos trifásicos, os valores são ligeiramente inferiores devido ao aquecimento mútuo entre os três condutores activos.
Selecciona-se a primeira secção normalizada cujo valor de Iz seja igual ou superior a Ib.
Critério 2: queda de tensão máxima
O segundo critério limita a perda de tensão ao longo do condutor. A resistência eléctrica do cabo provoca uma queda de tensão proporcional ao comprimento e à corrente. Em circuitos longos, uma queda excessiva reduz a tensão nos terminais do equipamento, afectando o seu funcionamento, a qualidade da iluminação e a vida útil dos motores.
A RTIEBT estabelece os limites máximos:
- 3 % para circuitos de iluminação (mais sensíveis a variações de tensão)
- 5 % para tomadas e outros circuitos de força motriz
A secção mínima para respeitar a queda de tensão calcula-se por:
S_vd = (k × ρ × L × Ib) / ΔU_max
Em que k = 2 para circuitos monofásicos (o condutor percorre a distância na ida e na volta) ou √3 para trifásicos, ρ = 1/56 Ω·mm²/m é a resistividade do cobre a 20 °C, L é o comprimento do cabo em metros e ΔU_max é a queda de tensão máxima em volt (por exemplo, 5 % de 230 V = 11,5 V). O resultado de S_vd é um valor contínuo; arredonda-se para a secção normalizada imediatamente superior.
Secção final: o maior dos dois critérios
A secção instalada é sempre a maior entre a exigida pelo critério de corrente e a exigida pelo critério de queda de tensão. Em circuitos curtos (tipicamente menos de 15 m), o critério de corrente domina. À medida que o comprimento aumenta, o critério de queda de tensão passa a ser o factor mais restritivo e impõe secções progressivamente maiores para o mesmo valor de corrente de projecto.
Esta calculadora aplica automaticamente os dois critérios e indica a secção recomendada em mm², a queda de tensão efectiva com essa secção e o disjuntor normalizado adequado.
Disjuntor de protecção
O disjuntor (interruptor magnetotérmico) colocado a montante do circuito deve ter uma corrente nominal igual ou superior a Ib mas nunca superior à capacidade de condução Iz do cabo escolhido. Esta calculadora sugere o valor normalizado mais baixo que satisfaz Ib, da série EN 60898-1: 6, 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63, 80 e 100 A. Em instalações com protecção diferencial, o disjuntor e o IDR são seleccionados de forma coordenada pelo instalador.
Método de instalação B2 e outros cenários
Esta calculadora utiliza o método B2 da IEC 60364-5-52, que corresponde a cabo em tubo embebido em parede ou tecto de betão ou alvenaria, temperatura ambiente de 30 °C. É o método mais comum em habitações em Portugal. Para outros métodos de instalação (cabo enterrado em tubo, cabo ao ar livre, tabuleiro de cabos sem tampa), os valores de capacidade de condução são diferentes e é necessário aplicar os factores de correcção da norma. O electricista responsável pelo projecto aplica esses factores conforme o traçado real da instalação.
Quando recorrer a um profissional
Esta calculadora destina-se a estimativas orientativas e a verificações de primeira abordagem. O projecto definitivo de uma instalação eléctrica deve ser elaborado e assinado por um técnico responsável habilitado. Em Portugal, instalações novas e remodelações que alterem a instalação existente de forma significativa requerem projecto de instalação eléctrica aprovado e declaração de conformidade emitida por instalador certificado junto da distribuidora de energia (e-redes).
A DGEG (Direcção-Geral de Energia e Geologia) é a autoridade competente para as instalações eléctricas de baixa tensão em Portugal e disponibiliza no seu portal a lista de técnicos responsáveis e instaladores certificados, as especificações das instalações Tipo A, B e C, e as estatísticas nacionais de consumo eléctrico no sector doméstico.
Perguntas frequentes
Que secção de cabo usar para um circuito de tomadas doméstico?
Qual a diferença entre o dimensionamento monofásico e trifásico?
O que é o método B2 e quando se aplica?
Porque é que circuitos longos precisam de cabos mais grossos?
Posso usar os resultados desta calculadora directamente numa obra?
Que norma define as secções mínimas dos cabos em Portugal?
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Revisto segundo a metodologia editorial · Actualizado em 21 de junho de 2026
Esta calculadora destina-se apenas a fins informativos. Os resultados são estimativas baseadas em fórmulas padrão e podem variar consoante as condições reais. Consulte um profissional para decisões importantes.