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Calculadora de Carência Capital Crédito

Calcula a prestação durante o período de carência de capital e o custo adicional total em juros face a um crédito normal.

Numa carência de capital, a prestação mensal fica reduzida ao valor dos juros mensais sobre o capital em dívida, sem amortizar o principal. Quando o período termina, o capital em dívida é idêntico ao capital inicial, e o empréstimo recomeça a amortizar normalmente pelo prazo restante; como esse prazo é mais curto, a prestação sobe. O custo desta opção é um excedente de juros ao longo do contrato, proporcional à duração da carência e à taxa do empréstimo.

A carência de capital é habitualmente utilizada em Portugal em situações de esforço financeiro temporário: quando a prestação sobe por efeito de revisão da taxa indexante, ou quando o mutuário atravessa um período de menor rendimento. A instituição de crédito pode propor esta opção no âmbito de um plano de reestruturação ou, nos casos abrangidos pela legislação de apoio ao crédito habitação em vigor, como medida de alívio do encargo mensal.

Distingue-se da carência total, onde não existe qualquer pagamento mensal e os juros acrescem ao capital em dívida, aumentando o montante a amortizar no futuro. Na carência de capital, os juros continuam a ser pagos mensalmente; o capital em dívida não aumenta, mas também não diminui durante o período de carência.

Para usar a calculadora: deve indicar-se o capital do empréstimo, o prazo total em anos, a TAN do contrato e a duração do período de carência em meses. A calculadora apresenta a prestação durante a carência (apenas juros), a prestação após a carência pelo sistema francês no prazo restante, o total de juros ao longo do contrato e o custo adicional face a um empréstimo sem período de carência.

O resultado actualiza automaticamente.

Montante inicial do empréstimo contratado

Duração total do contrato (1 a 50 anos)

Taxa Anual Nominal do contrato (0% a 30%)

Número de meses em que apenas se pagam juros, sem amortizar capital

Prestação durante a carência

437,50 €

Apenas juros mensais durante 24 meses, sem amortizar capital

Prestação após a carência

700,95 €

Amortização do capital pelo sistema francês nos 336 meses restantes

Encargos totais do contrato

Juros durante a carência
10 500 €
Juros após a carência
85 519 €
Total de juros
96 019 €

Comparação com crédito sem carência

Prestação sem carência
673,57 €
Total de juros sem carência
92 484 €
Custo adicional da carência
3535 €
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Como funciona

1

Introduzir o capital do empréstimo (montante inicial em dívida).

2

Definir o prazo total do contrato em anos.

3

Inserir a Taxa Anual Nominal (TAN) constante no contrato.

Fórmula

Jm = C × r | P = C × r / (1 − (1+r)^(−n'))
JmPrestação mensal durante a carência de capital (apenas juros)
CCapital em dívida (não se altera durante a carência)
rTaxa mensal = TAN / 1200
PPrestação mensal após o período de carência (sistema francês)
n'Prazo restante em meses = prazo total em meses − duração da carência

Como funciona o cálculo

Carência de Capital no Crédito: Como Funciona e Quanto Custa

Em Portugal, o período de carência de capital é uma cláusula contratual que permite ao mutuário pagar apenas a componente de juros durante um determinado número de meses, sem amortizar o capital. O capital em dívida permanece igual ao capital inicial durante toda a carência, e o reembolso total do empréstimo fica diferido para a fase de amortização normal que se segue.

O que é a carência de capital e como se distingue da carência total

A carência de capital não implica suspensão dos pagamentos: o mutuário continua a liquidar mensalmente os juros calculados sobre o capital em dívida total. A fórmula de cálculo é direta: a prestação mensal durante a carência é simplesmente o capital multiplicado pela taxa mensal (TAN dividida por 1200). Não há amortização, não há redução do saldo em dívida, mas também não há capitalização de juros.

A carência total funciona de forma diferente: durante o período em que nenhum pagamento é efetuado, os juros de cada mês acrescem ao capital, que cresce de forma composta. Ao fim da carência total, o capital em dívida é superior ao capital inicial, e o esforço necessário para o amortizar no tempo restante é proporcionalmente maior. Esta modalidade é excepcionalmente rara em Portugal porque o acréscimo futuro de encargo é substancial.

Como se calcula a prestação após a carência

Terminada a carência de capital, o empréstimo reentra no plano de amortização normal pelo sistema francês (tabela Price). A particularidade é que o prazo disponível para amortizar o capital é mais curto: o prazo restante é o prazo total menos os meses de carência. Com o mesmo capital e uma taxa mensal idêntica, mas num prazo mais curto, a prestação mensal após a carência é inevitavelmente superior à que seria num empréstimo sem carência com o mesmo prazo total.

Esta assimetria de encargos é um aspeto central a ter em conta: a redução temporária de encargo durante a carência é compensada por uma prestação mais elevada durante todo o período de amortização subsequente. Quanto mais longa for a carência, maior a diferença entre a prestação após a carência e a prestação que existiria num contrato sem carência.

Impacto no custo total do crédito

O custo adicional da carência de capital em termos de juros totais resulta de um mecanismo simples: durante os meses de carência, o capital não se reduz, e os juros continuam a incidir sobre o montante inicial completo. Num contrato sem carência, esses mesmos meses já incluiriam alguma amortização de capital, reduzindo progressivamente o saldo sobre o qual os juros se calculam.

A diferença de juros totais depende essencialmente de dois fatores: a duração da carência (mais meses de carência significam mais juros adicionais) e a taxa do contrato (taxas mais elevadas amplificam o custo da carência). A calculadora quantifica este diferencial com precisão: mostra o total de juros com carência e o total que se pagaria sem carência, permitindo avaliar o custo real desta opção.

Contexto regulatório em Portugal: quando se pode pedir carência de capital

A carência de capital pode ser contratada à partida, como cláusula do contrato de crédito, ou ser negociada durante a vida do contrato em situações de dificuldade financeira. Para o crédito habitação, a legislação portuguesa estabeleceu mecanismos que condicionam as situações em que as instituições de crédito devem ou podem propor soluções de alívio das prestações, incluindo a carência de capital.

Os diplomas aprovados no contexto da subida das taxas de juro no período 2022-2023 definem condições de elegibilidade (como a relação entre a prestação e o rendimento, ou a natureza do imóvel) e estabelecem limites às propostas que as instituições de crédito podem apresentar. Qualquer solução de reestruturação deve ser formalizada por escrito e o mutuário pode recusar a proposta da instituição sem consequências contratuais.

Carência de capital no crédito pessoal e automóvel

O mecanismo de carência de capital aplica-se igualmente a créditos pessoais e créditos automóvel, regulados pelo regime do crédito ao consumo. Nestes contratos, os prazos são mais curtos e os capitais geralmente menores do que no crédito habitação, mas a lógica de cálculo é idêntica: durante a carência, paga-se apenas juros; após a carência, a prestação sobe para cobrir o capital no prazo restante. Na prática, bancos portugueses oferecem períodos de carência de capital na fase inicial de créditos pessoais a prazos mais longos, como modalidade comercial.

Erros comuns ao avaliar uma proposta de carência

O erro mais frequente é considerar apenas a redução imediata da prestação, sem calcular o custo total ao longo do contrato. Uma carência de capital oferece um alívio real no curto prazo, mas tem um preço em juros adicionais que se paga ao longo de vários anos. A calculadora permite comparar diretamente os dois cenários e decidir com informação completa.

Outro equívoco é assumir que a prestação volta ao valor anterior após a carência. Num contrato de taxa variável, a revisão da taxa durante ou após a carência pode alterar adicionalmente o valor da prestação. O valor apresentado pela calculadora é correto para a taxa indicada; em contratos de taxa variável, deve recalcular a cada revisão da taxa indexante.

Quando consultar uma instituição ou um intermediário de crédito

A decisão de recorrer a uma carência de capital deve ser precedida de uma análise das alternativas disponíveis: amortização antecipada parcial, extensão de prazo, ou renegociação da taxa. Cada opção tem implicações distintas no custo total do crédito e no encargo mensal ao longo do tempo. Um intermediário de crédito registado no Banco de Portugal pode comparar soluções e identificar a opção mais adequada ao caso concreto.

A instituição de crédito tem obrigação de apresentar uma Ficha de Informação Normalizada (FIN ou FINE) com as condições da solução proposta, incluindo o impacto no custo total do crédito. Antes de aceitar qualquer proposta de reestruturação, deve ler esse documento com atenção e confirmar que o custo adicional é aceitável face ao benefício da redução temporária de encargo.

O BPstat — Banco de Portugal é o portal de estatísticas oficiais do Banco de Portugal, o supervisor das instituições de crédito em Portugal; publica as séries de taxas de juro do crédito à habitação e ao consumo e mantém o Portal do Cliente Bancário, onde consta o glossário com a definição oficial de carência de capital e os simuladores de crédito à habitação e ao consumo.

Perguntas frequentes

O que é a carência de capital no crédito?

A carência de capital é um período do contrato de crédito em que o mutuário paga apenas os juros mensais sobre o capital em dívida, sem efetuar qualquer amortização do principal. O capital em dívida permanece igual ao valor inicial durante toda a carência. O período é acordado com a instituição de crédito, seja à partida no contrato, seja em situação de reestruturação.

Qual a diferença entre carência de capital e carência total?

Na carência de capital, continuam a ser pagos juros todos os meses; o capital não diminui, mas também não aumenta. Na carência total, não há qualquer pagamento mensal: os juros acumulam-se e somam-se ao capital em dívida, que cresce de forma composta até ao fim do período. A carência total é excepcionalmente rara em Portugal, reservada a situações de reestruturação grave, porque aumenta o montante total a reembolsar.

Como se calcula a prestação durante a carência de capital?

A prestação durante a carência de capital é o capital em dívida multiplicado pela taxa mensal do contrato (TAN dividida por 1200). O resultado é a componente de juros pura, sem qualquer amortização. É sempre inferior à prestação normal do mesmo contrato, que inclui uma parcela de capital amortizado além dos juros.

A prestação sobe depois do período de carência de capital?

Sim, inevitavelmente. Terminada a carência, o capital em dívida é igual ao capital inicial, mas o prazo disponível para o amortizar é mais curto (prazo total menos os meses de carência). Com o mesmo capital e um prazo mais curto, a prestação pelo sistema francês (tabela Price) é mais elevada do que seria num contrato sem carência com o mesmo prazo total.

Em que situações se pode pedir carência de capital em Portugal?

A carência de capital pode ser contratada à partida ou negociada durante a vida do contrato em situações de dificuldade. Para crédito habitação, a legislação portuguesa estabeleceu condições de elegibilidade e procedimentos que as instituições de crédito devem seguir quando o mutuário solicita soluções de alívio da prestação. Aplica-se igualmente a crédito pessoal e crédito automóvel, onde as condições são definidas contratualmente entre as partes.

Quando devo consultar um especialista antes de aceitar uma proposta de carência de capital?

Sempre que se esteja a ponderar aceitar uma proposta de carência de capital ou a solicitar soluções de reestruturação. O custo adicional total em juros pode ser significativo, e existem alternativas que podem ser mais vantajosas conforme a situação: amortização antecipada parcial, extensão do prazo ou renegociação da taxa. Um intermediário de crédito registado no Banco de Portugal pode comparar as diferentes opções e ajudar a escolher a solução mais adequada.

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Esta calculadora fornece uma estimativa para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. Os valores reais dependem das condições específicas do contrato e de cada instituição de crédito. Para decisões de reestruturação de crédito, deve consultar-se a respectiva instituição ou um intermediário de crédito registado no Banco de Portugal.