Calculadora de Impacto da Reestruturação de Crédito
Simula a nova prestação mensal e o impacto no custo total depois de reestruturar um crédito em Portugal.
Alargar o prazo ou renegociar a taxa de um crédito reduz normalmente a prestação mensal, mas o peso dos juros no total pago tende a subir numa proporção semelhante à poupança mensal conseguida. É esse equilíbrio, entre alívio imediato no orçamento e custo acumulado ao longo do contrato, que a reestruturação de crédito coloca em cima da mesa.
Esta calculadora compara a prestação actual com a prestação depois da reestruturação, a partir do capital em dívida, do prazo e da taxa antes e depois da renegociação com a instituição de crédito.
O resultado actualiza automaticamente.
Montante do crédito que ainda está por pagar à instituição
Anos que faltam para terminar o contrato nas condições actuais
Taxa Anual Nominal em vigor no contrato antes da reestruturação
Prazo proposto pela instituição na reestruturação
Taxa Anual Nominal proposta na reestruturação
Nova prestação mensal
Prestação recalculada pelo sistema francês (tabela Price) com o novo prazo e a nova taxa
- Prestação actual
- 646,73 €
- Variação na prestação
- 87,58 € (13,5 %)
- Juros totais (condições actuais)
- 74 019 €
- Juros totais (após reestruturação)
- 81 294 €
- Variação no total de juros
- 7274 €
Como funciona
Fórmula
Fontes:
- Banco de Portugal — BPstat: séries de taxas de juro do crédito à habitação e ao consumo
- Decreto-Lei n.º 227/2012, de 25 de outubro, alterado posteriormente — regime de prevenção e gestão de situações de incumprimento de contratos de crédito
- Sistema francês de amortização (tabela Price): método de prestação constante, de uso generalizado nos contratos de crédito em Portugal
Como funciona o cálculo
Reestruturação de Crédito: Como Calcular o Impacto na Prestação
Reestruturar um crédito significa alterar as condições de um contrato já em vigor com a mesma instituição financeira, sem mudar de banco. Em Portugal, este pedido surge sobretudo em dois contextos: a renegociação voluntária, quando o cliente procura condições mais favoráveis, e a reestruturação proposta pela própria instituição quando detecta dificuldade de pagamento. Em qualquer dos casos, o resultado final mede-se da mesma forma: pela comparação entre a prestação antes e depois da mudança.
Como funciona a tabela Price na reestruturação
A generalidade dos créditos à habitação, pessoais e automóvel em Portugal usa o sistema francês de amortização, conhecido como tabela Price. Neste sistema, a prestação mensal mantém-se constante ao longo do prazo, mas o peso relativo de capital e juros varia mês a mês: no início, a maior parte da prestação corresponde a juros; perto do fim do contrato, a maior parte já é capital.
Quando se reestrutura um crédito, a instituição recalcula a prestação aplicando a mesma fórmula da tabela Price ao capital em dívida actual, usando o novo prazo e a nova taxa acordados. Se o prazo aumenta, o número de prestações a dividir o mesmo capital é maior, o que reduz o valor de cada prestação. Se a taxa desce, por exemplo por troca de indexante ou por renegociação do spread, o efeito soma-se ao do prazo. No caso-limite de uma TAN de zero, a fórmula simplifica-se: a prestação resulta da simples divisão do capital pelo número de prestações, sem qualquer componente de juro.
Quando a instituição de crédito propõe a reestruturação
O regime português de prevenção e gestão de situações de incumprimento, previsto no Decreto-Lei n.º 227/2012 e nas alterações que se seguiram, obriga as instituições de crédito a avaliar e propor soluções de reestruturação a clientes em risco de incumprimento, através de um procedimento extrajudicial específico. Entre as medidas previstas estão o alargamento do prazo, a redução temporária ou permanente da taxa, a concessão de um período de carência de capital e a consolidação de vários créditos num só.
Fora deste contexto de incumprimento, nada impede um cliente de pedir voluntariamente à sua instituição uma reavaliação das condições, nomeadamente quando a sua situação financeira ou o perfil de risco mudaram desde a assinatura do contrato original. A instituição não é obrigada a aceitar, mas a avaliação do pedido segue a mesma lógica de cálculo.
Prestação mais baixa, custo total mais alto: o equilíbrio a entender
O ponto mais importante a reter sobre qualquer reestruturação que alargue o prazo é este: a prestação mensal desce, mas o total de juros pagos ao longo de todo o crédito tende a subir. Isto acontece porque o capital em dívida passa a gerar juros durante mais meses, mesmo que a taxa se mantenha igual ou desça ligeiramente.
Esta calculadora mostra os dois lados da equação lado a lado: a variação imediata na prestação mensal e a variação no total de juros pagos até ao fim do contrato. Só com os dois números visíveis em simultâneo é possível avaliar se a reestruturação resolve um problema de liquidez no curto prazo às custas de um encargo maior no longo prazo, ou se a nova taxa compensa o prazo mais longo. Um caso típico em Portugal é o de uma família na área do Porto a meio do prazo de um crédito habitação, que recebe do banco uma proposta de alargamento do contrato por mais alguns anos: a prestação mensal desce de imediato, mas o total de juros a pagar até ao fim do crédito aumenta.
Erros comuns ao avaliar uma proposta de reestruturação
O erro mais frequente é olhar apenas para a prestação mensal e aceitar a proposta sem comparar o custo total do crédito antes e depois. Uma prestação mais confortável no imediato pode esconder um agravamento significativo nos juros totais, sobretudo quando o alargamento do prazo é grande.
Outro erro comum é confundir reestruturação com refinanciamento. Na reestruturação, o contrato mantém-se com a mesma instituição e o mesmo capital em dívida. No refinanciamento, contrai-se um novo crédito, normalmente noutra instituição, para liquidar o anterior, o que implica novos custos de abertura e, por vezes, uma nova avaliação do imóvel. São soluções diferentes para o mesmo problema, com estruturas de custo distintas.
Por fim, muitos clientes esquecem-se de verificar se a instituição actualizou correctamente o indexante na simulação. Uma reestruturação feita com uma referência desactualizada produz uma prestação que não corresponde à realidade do contrato nos meses seguintes.
Quando consultar um profissional
Os resultados desta calculadora assumem uma tabela Price pura, sem seguros associados ao crédito, comissões do processo de reestruturação ou outros encargos contratuais específicos. Antes de aceitar uma proposta, deve comparar-se sempre a simulação com a proposta escrita e assinada pela instituição, que é a única vinculativa.
Em situações de incumprimento já instalado, ou quando a reestruturação envolve consolidar vários créditos de tipos diferentes, vale a pena procurar um intermediário de crédito registado ou os serviços de apoio ao sobreendividamento, que podem avaliar a proposta à luz da situação financeira completa do agregado familiar.
O Banco de Portugal, enquanto supervisor das instituições de crédito, publica através do portal BPstat as séries oficiais de taxas de juro aplicadas ao crédito à habitação e ao consumo, que servem de referência para avaliar se as condições propostas numa reestruturação estão alinhadas com o mercado.
Perguntas frequentes
O que é a reestruturação de um crédito?
A reestruturação é a alteração das condições de um contrato de crédito já existente com a mesma instituição financeira, sem abertura de um novo crédito. Pode envolver o alargamento do prazo, a alteração da taxa de juro, um período de carência de capital ou a consolidação de vários créditos. Distingue-se do refinanciamento, que implica contrair um crédito novo, normalmente noutra instituição, para liquidar o anterior.
Qual a diferença entre reestruturação e refinanciamento de crédito?
Na reestruturação, o contrato original mantém-se e é apenas renegociado com a mesma instituição. No refinanciamento, contrai-se um crédito novo, muitas vezes noutra instituição, para pagar o crédito anterior na totalidade. O refinanciamento costuma implicar custos de abertura de um contrato novo e, por vezes, nova avaliação do imóvel, que a reestruturação evita.
Porque é que a prestação desce mas o custo total do crédito sobe?
Quando a reestruturação alarga o prazo, o mesmo capital em dívida passa a gerar juros durante mais meses. A prestação mensal desce porque o total a pagar se divide por mais parcelas, mas o total de juros acumulados ao longo de todo o contrato tende a aumentar, mesmo que a taxa se mantenha praticamente inalterada.
Quando é que o banco é obrigado a propor uma reestruturação?
O regime português de prevenção e gestão de situações de incumprimento obriga as instituições de crédito a avaliar e propor soluções de reestruturação quando identificam um cliente em risco de incumprimento, através de um procedimento extrajudicial específico. Fora destas situações, a reestruturação é sempre voluntária e depende da aceitação da instituição.
A reestruturação de crédito fica registada e afecta o acesso a crédito futuro?
A reestruturação em si não é uma situação de incumprimento e não deve ser confundida com um registo negativo. No entanto, se a reestruturação ocorreu precisamente porque existiam prestações em atraso, esse histórico de incumprimento pode constar dos registos usados pelas instituições de crédito na avaliação de pedidos futuros.
Quando devo consultar um profissional antes de aceitar uma reestruturação?
Vale a pena procurar um intermediário de crédito registado ou os serviços de apoio ao sobreendividamento sempre que a proposta envolva consolidar vários créditos, quando já existe incumprimento instalado, ou quando não é claro se o alívio na prestação compensa o aumento no custo total. Um profissional pode comparar a proposta com alternativas e com a situação financeira completa do agregado familiar.
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Pelo RivoCalc · Revisto segundo a metodologia editorial · Actualizado em 1 de novembro de 2026
Esta calculadora fornece uma estimativa para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. Os valores reais dependem das condições de cada instituição e da sua situação específica. Para decisões financeiras, consulte um profissional qualificado ou a sua instituição.
