Calculadora de DSTI e Taxa de Esforço
Calcula o DSTI do agregado com o agravamento de taxa que a avaliação da solvabilidade exige. Compara o rácio corrente com o rácio de stress.
O DSTI é a proporção do rendimento mensal líquido absorvida pelas prestações de crédito: somam-se todas as prestações mensais do agregado e divide-se o total pelo rendimento líquido desse mesmo agregado. Se as prestações consumirem metade do que entra na conta ao fim do mês, o DSTI é de metade. A divisão é trivial, mas o número que a instituição de crédito regista é quase sempre superior ao que sai desta conta directa.
A razão está no método da avaliação de solvabilidade. A prestação do crédito que se está a pedir não entra pelo valor contratado: entra agravada por uma subida hipotética da taxa de juro, tanto maior quanto mais longo for o prazo. Quando o contrato se prolonga para além da idade da reforma, junta-se um segundo ajustamento, que antecipa a quebra de rendimento dessa fase da vida. O resultado é um rácio de stress, mais conservador do que a fotografia do mês corrente.
Esta calculadora segue esse caminho. Introduz-se o rendimento líquido do agregado, o total das prestações já contratadas e as condições do novo crédito. A partir daí calcula-se a prestação do novo empréstimo pelo sistema francês, que é o método de amortização usado na generalidade do crédito à habitação em Portugal, e repete-se o cálculo com a taxa agravada. O resultado mostra os dois rácios lado a lado: o que a família vê hoje e o que a instituição vai registar na análise.
Serve para quem prepara um pedido de crédito habitação, para quem quer perceber quanto espaço sobra antes de contratar um crédito automóvel, e para quem já tem vários empréstimos e quer saber onde está antes de pedir mais um.
O resultado actualiza automaticamente.
Soma dos rendimentos líquidos de todos os titulares, após impostos e contribuições
Total mensal de crédito habitação, automóvel, pessoal e cartões em pagamento faseado
Capital que se pretende financiar no novo contrato
Duração total do novo contrato, em anos
Taxa nominal anual esperada para o novo contrato
Pontos percentuais somados à taxa para simular uma subida futura, como exige a avaliação da solvabilidade
DSTI com agravamento
Rácio entre o serviço da dívida e o rendimento líquido, com a prestação do novo crédito já agravada
- Prestação do novo crédito
- 709,57 €
- Prestação com agravamento
- 849,16 €
- Total de encargos mensais
- 1149,16 €
- DSTI sem agravamento
- 45,9 %
- DSTI dos créditos actuais
- 13,6 %
Como funciona
Fórmula
Fontes:
- Banco de Portugal — Portal do Cliente Bancário: avaliação da solvabilidade e crédito aos consumidores
- Banco de Portugal — Recomendação macroprudencial sobre os novos contratos de crédito celebrados com consumidores (limites ao rácio DSTI, ao rácio LTV e à maturidade)
- Decreto-Lei n.º 74-A/2017 — Diário da República: regime dos contratos de crédito relativos a imóveis, incluindo a avaliação de solvabilidade
Como funciona o cálculo
DSTI: o rácio que decide se o crédito é aprovado
Quem pede crédito em Portugal descobre cedo que há um número que pesa mais do que todos os outros. Chama-se DSTI, sigla inglesa de debt service to income, e corresponde ao que em português se designa por taxa de esforço. Mede a parte do rendimento líquido mensal que fica comprometida com o pagamento de prestações de crédito.
As instituições de crédito calculam este rácio antes de decidir. E calculam-no de forma mais exigente do que a conta simples que a maioria das pessoas faz em casa. A diferença está no agravamento: a prestação que entra no rácio não é a prestação de hoje, é a prestação num cenário de subida das taxas de juro. É por isso que uma família conclui que tem folga e recebe depois uma resposta negativa. Esta calculadora reproduz as duas contas, a corrente e a agravada.
O que entra no numerador e no denominador
O numerador soma tudo o que se paga por mês a título de crédito: crédito habitação, crédito automóvel, crédito pessoal, saldos de cartão em pagamento faseado e linhas de crédito associadas à conta. Contam as prestações de todos os titulares do agregado, não apenas as de quem assina o novo contrato. Contam também as responsabilidades assumidas como fiador, porque o risco existe mesmo quando o pagamento corre por outra pessoa.
O denominador é o rendimento mensal líquido do agregado, ou seja, aquilo que entra efectivamente na conta depois do IRS e das contribuições para a Segurança Social. Entram salários líquidos, pensões, rendas recebidas e outros rendimentos regulares e declarados. Não entram rendimentos ocasionais, apoios pontuais nem trabalho não declarado, porque nenhuma instituição os aceita como base de análise.
Um detalhe muda tudo na prática. Um casal em Braga em que apenas um dos membros aparece como titular apresenta um rácio bastante mais alto do que o mesmo casal com os dois como co-titulares, porque o segundo rendimento fica de fora do denominador. Antes de submeter o pedido, compensa testar as duas configurações.
Porque o rácio do banco é sempre mais alto
A avaliação de solvabilidade exige que a prestação do novo contrato seja simulada com uma taxa de juro superior à contratada. A lógica é directa: um empréstimo a taxa variável acompanha o indexante, e o indexante sobe. Se o agregado só aguenta a prestação no cenário mais favorável, o crédito é frágil. O agravamento é maior nos prazos longos, porque há mais anos de exposição ao risco de subida.
Existe um segundo ajustamento, ligado à idade. Quando o contrato termina depois da idade da reforma, a análise antecipa a redução de rendimento que a passagem à reforma costuma implicar. O rácio deixa de assentar apenas no rendimento actual e passa a considerar o rendimento previsível no final do prazo. É por isso que alargar o prazo nem sempre melhora a posição de quem pede: baixa a prestação, mas empurra o contrato para uma fase da vida com menos rendimento.
O Banco de Portugal fixa os limites deste rácio numa recomendação macroprudencial dirigida às instituições de crédito. A recomendação não é uma proibição legal, é uma orientação de supervisão que as instituições seguem, com uma margem limitada de excepções em cada período. Na prática, quem fica acima do limite não é recusado automaticamente, mas passa a competir por essa margem estreita.
Erros comuns a evitar
O primeiro erro é usar o rendimento bruto. O rácio calcula-se sobre o líquido, e a distância entre os dois chega para transformar um resultado confortável num resultado apertado.
O segundo é esquecer os créditos pequenos. Um cartão pago em prestações ou um crédito de electrodomésticos parecem irrelevantes isoladamente, mas somam-se ao numerador e ficam visíveis na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, que as instituições consultam antes de decidir.
O terceiro é confundir taxa de esforço com orçamento familiar. O DSTI mede crédito e mais nada. Não inclui renda de casa, condomínio, creche, transportes nem alimentação. Dois agregados com o mesmo rácio podem ter folgas muito diferentes, porque aquilo que sobra em termos absolutos depende do nível de rendimento. Uma família de Setúbal com rendimento modesto pode ficar sem margem num rácio que noutro agregado seria tranquilo.
O quarto é somar catorze meses como se fossem doze. Os subsídios de férias e de Natal não transformam o rendimento mensal regular, e é sobre esse rendimento regular que a análise trabalha.
Quando falar com um profissional
Esta calculadora reproduz o método com fidelidade, mas não substitui a análise da instituição. A decisão final pondera ainda o historial de incumprimentos, a estabilidade e o tipo de vínculo laboral, a relação entre o montante emprestado e o valor da garantia, e a antiguidade da relação bancária. Quando o rácio calculado fica perto do limite recomendado, compensa falar com um intermediário de crédito registado no Banco de Portugal, que compara propostas de várias instituições e identifica qual delas tem margem disponível para o perfil em causa.
O Banco de Portugal é o supervisor das instituições de crédito em Portugal e publica, através do BPstat, as séries oficiais da Euribor e das taxas de juro implícitas no crédito à habitação e ao consumo. O regime dos contratos de crédito relativos a imóveis, consolidado no Decreto-Lei n.º 74-A/2017, estabelece a obrigação de avaliação de solvabilidade que enquadra este cálculo.
Perguntas frequentes
O que significa DSTI e é o mesmo que taxa de esforço?
DSTI é a sigla inglesa de debt service to income, que se traduz por serviço da dívida sobre rendimento. Em Portugal o mesmo indicador é conhecido por taxa de esforço. Os dois termos designam o mesmo rácio: a parte do rendimento mensal líquido comprometida com prestações de crédito. A sigla DSTI aparece sobretudo na linguagem de supervisão do Banco de Portugal, enquanto taxa de esforço é o termo do dia a dia.
Como se calcula o DSTI?
Somam-se todas as prestações mensais de crédito do agregado, incluindo o crédito que se pretende contratar, e divide-se esse total pelo rendimento mensal líquido do agregado. O resultado multiplica-se por cem para ficar em percentagem. A prestação do novo crédito calcula-se pelo sistema francês, com prestação constante ao longo do prazo, e entra no cálculo já com o agravamento de taxa exigido pela avaliação de solvabilidade.
Que rendimentos e que encargos entram no cálculo?
No rendimento entra tudo o que é regular, declarado e líquido: salários depois de IRS e Segurança Social, pensões, rendas recebidas e outros rendimentos estáveis de todos os titulares. Nos encargos entram todas as prestações de crédito activas, do crédito habitação ao crédito pessoal, ao automóvel e aos saldos de cartão pagos em prestações. Rendas de casa, condomínio e despesas correntes ficam de fora, porque o rácio mede endividamento e não orçamento familiar.
Porque é que o banco chega a um DSTI mais alto do que o meu?
Porque a instituição não usa a prestação nas condições actuais. Aplica um agravamento à taxa de juro do novo contrato para testar a capacidade de pagamento num cenário de subida, com um agravamento maior nos prazos mais longos. Se o contrato terminar depois da idade da reforma, considera ainda a redução de rendimento esperada nessa altura. Além disso soma responsabilidades que muitas pessoas esquecem, como créditos de que são fiadoras.
Como se pode baixar o DSTI antes de pedir crédito?
As vias mais eficazes são reduzir o numerador ou aumentar o denominador. Liquidar créditos de curto prazo e custo elevado, como cartões e créditos pessoais pequenos, liberta espaço imediato. Dar uma entrada maior no crédito habitação reduz o montante financiado e, com ele, a prestação. Incluir um segundo titular com rendimento declarado aumenta o rendimento considerado. Consolidar créditos num só contrato baixa a prestação mensal, embora tenda a aumentar o custo total dos juros.
Quando devo consultar um profissional?
Sempre que o rácio calculado ficar perto do limite recomendado, ou quando existem várias responsabilidades activas e não é claro quais bloqueiam a aprovação. Um intermediário de crédito registado no Banco de Portugal compara propostas de várias instituições e conhece a margem de excepções que cada uma tem disponível. Para decisões de crédito habitação, esta conversa deve acontecer antes da assinatura do contrato-promessa, não depois.
Calculadoras relacionadas
Calculadora de Taxa de Esforço de Crédito
Calcula a taxa de esforço (DSTI) com base no rendimento líquido e nas prestações mensais de crédito. Classifica o nível de endividamento e indica se o rácio está dentro dos limites recomendados.
Calculadora de Montante Máximo de Crédito Habitação
Calcula o montante máximo de crédito habitação com base no rendimento líquido, taxa de esforço, encargos existentes, taxa de juro e prazo. Usa a fórmula inversa da tabela Price.
Calculadora de Rácio Prestação/Rendimento
Calcula o rácio entre a prestação de um empréstimo e o rendimento líquido mensal. Descobre se a prestação proposta é sustentável e quanto fica disponível.
Calculadora de Idade Máxima e Prazo de Crédito Habitação
Descobre quantos anos de prazo consegues negociar no crédito habitação, cruzando a tua idade com os limites de idade do banco.
Calculadora de Impacto do Fiador no Crédito
Simula como um fiador altera a taxa de esforço no crédito, combinando rendimentos e encargos dos dois titulares.
Calculadora de Pré-Aprovação de Crédito
Calcula a taxa de esforço e o rácio de financiamento face aos limites recomendados e obtém um veredito de pré-aprovação de crédito habitação.
Pelo RivoCalc · Revisto segundo a metodologia editorial · Actualizado em 15 de agosto de 2026
Esta calculadora fornece uma estimativa para fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. Os valores reais dependem das condições de cada instituição e da situação específica de cada agregado. Para decisões de crédito, consulte um profissional qualificado ou a sua instituição.
